Bem-Estar
Câncer de rim: 8 mitos e verdades sobre essa doença silenciosa
O câncer de rim costuma evoluir de forma silenciosa e, justamente por isso, ainda representa um desafio importante para o diagnóstico precoce. Em muitos casos, o tumor não provoca sintomas nas fases iniciais e acaba sendo descoberto por achados radiológicos em exames de imagem realizados […]
O câncer de rim costuma evoluir de forma silenciosa e, justamente por isso, ainda representa um desafio importante para o diagnóstico precoce. Em muitos casos, o tumor não provoca sintomas nas fases iniciais e acaba sendo descoberto por achados radiológicos em exames de imagem realizados por outros motivos.
Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 8.110 novos casos de câncer de rim por ano no triênio 2026-2028, sendo 4.900 entre homens e 3.210 entre mulheres.
A detecção precoce do câncer no rim permite tratamentos menos agressivos e, em muitos casos, a preservação do órgão. “[…] O diagnóstico precoce é fundamental porque, quando identificado ainda localizado no rim, o tratamento costuma ter mais chance de controle da doença e melhores resultados para o paciente”, afirma Alvaro Bosco, urologista do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC Oncologia).
Diagnóstico precoce muda o rumo do tratamento
O especialista destaca que houve mudança importante na forma como esses tumores chegam ao consultório. “No passado, era comum encontrarmos tumores grandes, palpáveis ao exame físico e com sangramento na urina, o que gerava cirurgias maiores, com a retirada completa do rim. Hoje, devido à possibilidade de check-ups com a realização de exames de imagem de rotina, fazemos diagnósticos de tumores pequenos e com a possibilidade de mantermos o rim, com extirpação apenas do tumor”, explica.
Essa mudança de perfil tem impacto direto sobre o tratamento. Quando o câncer está localizado, a cirurgia continua sendo a principal estratégia terapêutica e pode ter intenção curativa, é a chamada nefrectomia. “Dependendo do caso, pode-se realizar cirurgia para retirada apenas do tumor e preservação do rim, ou retirada somente do rim acometido. Em tumores localizados, a cirurgia oferece intenção curativa, não sendo necessária quimioterapia ou radioterapia”, afirma.
Mitos e verdades sobre o câncer de rim
A seguir, Alvaro Bosco, urologista do IBCC Oncologia, esclarece os principais mitos e verdades sobre a doença. Confira!
1. Todo paciente com câncer de rim precisa retirar o rim inteiro
Mito. Nem sempre. Dependendo do tamanho do tumor, da localização da lesão e das condições clínicas do paciente, pode ser possível retirar apenas o tumor e preservar o restante do rim. A retirada completa do órgão pode ser necessária em alguns casos, mas não é uma regra para todos.
2. Sangue na urina deve sempre ser investigado
Verdade. Embora não signifique necessariamente câncer, sangue na urina é um sinal de alerta que precisa de avaliação médica. Outros sinais que também merecem atenção incluem dor persistente na região lombar ou no flanco, sensação de massa abdominal, perda de peso sem explicação, cansaço e febre persistente.

3. Tabagismo, obesidade e pressão alta aumentam o risco de câncer de rim
Verdade. Entre os principais fatores de risco, estão tabagismo, obesidade, hipertensão arterial, doença renal crônica e histórico familiar. Hábitos de vida saudáveis, como não fumar, manter o peso adequado, praticar atividade física e controlar a pressão arterial são medidas importantes de prevenção.
4. Ultrassom é o único exame usado para identificar câncer de rim
Mito. A ultrassonografia pode ser o primeiro passo da investigação, mas tomografia computadorizada e ressonância magnética costumam ser fundamentais para confirmar o diagnóstico, avaliar o tamanho da lesão e ajudar no planejamento do tratamento.
5. Cirurgia é o principal tratamento para os casos localizados
Verdade. Quando o câncer de rim está localizado, o tratamento principal costuma ser cirúrgico. Em muitos pacientes, a cirurgia é o único tratamento necessário para a cura, sem necessidade de quimioterapia e/ou radioterapia.
6. Existem alternativas minimamente invasivas em alguns casos
Verdade. Quando o tumor é pequeno e a cirurgia não pode ser realizada ou é tecnicamente desafiadora, podem ser consideradas terapias minimamente invasivas, como crioablação, radiofrequência, micro-ondas ou eletroporação.
7. O tratamento do câncer de rim não avançou nos últimos anos
Mito. Houve avanços importantes, especialmente nos casos avançados, com o crescimento da imunoterapia e das terapias-alvo. Também há mais interesse em biomarcadores, imagem molecular e estratégias mais personalizadas para definir o melhor tratamento para cada paciente.
8. Ter diagnóstico de câncer de rim é sempre sinônimo de doença avançada
Mito. Hoje, muitos tumores renais são descobertos mais cedo, justamente por causa do maior uso de exames de imagem. Isso permite tratar a doença em fases localizadas, com melhores chances de controle e, em vários casos, com preservação da função renal.
Por Andressa Marques
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