Lula é o sinônimo da esperança de livrar o Brasil de Bolsonaro

'Lula continua a ser a nossa aposta, a solução definitiva para este nó da nossa história que é premente desatar', escreve Mino Carta

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Ricardo Stuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Ricardo Stuckert

Artigo

Sou de um tempo em que fundão significava o País acima da Bahia e de Minas Gerais, na direção Norte e Nordeste. São Paulo tornara-se a cidade mais progredida do Brasil, a mais promissora, um ponto de atração irresistível para os retirantes que fugiam da seca. Do fundão também veio um certo Luiz Inácio da Silva, conhecido como Lula na família e pelos amigos. Era apenas um em meio à ninhada de meninos, ainda menores, comandados pela mãe corajosa e lutadora. Ao sair para o trabalho, ainda de madrugada, ela enterrava no quintal até a cabeça os menores, para que não fugissem.

A contribuição nordestina ao progresso da cidade e do estado foi decisiva em um ponto do País e lá pelas tantas se tornou o mais reacionário, enquanto o fundão crescia em todas as direções, política, social e economicamente. E por este caminho o retirante Lula tornou-se presidente da República e fez um governo capaz de garantir extravasante aprovação por parte de uma população satisfeita. Trata-se de lembrança muito viva ainda no coração e nas mentes dos brasileiros, do Oiapoque ao Chuí.

Os retirantes foram mal recebidos embora decisivos para o futuro. (FOTO: Arquivo Público/DF)

Hoje, Lula é o sinônimo da esperança de livrar o Brasil de Jair Bolsonaro e do bolsonarismo, de forma a colocar a situação no rumo certo. O Supremo Tribunal Federal, na quarta-feira 23, confirmou claramente a má-fé da Operação Lava Jato e das criminosas artimanhas de Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Nunca Lula esteve tão habilitado a apresentar sua candidatura às eleições previstas para o ano próximo, conforme um calendário eleitoral ao gosto dos golpistas, o que, na verdade, é secundário, pois primária é a necessidade de resgatar o País da praga bolsonarista.
O STF confirmou o que CartaCapital sempre sustentou, ou seja, a total inviabilidade das acusações ilustradas por Dallagnol em uma peça hedionda chamada PowerPoint. CartaCapital foi a única publicação impressa habilitada a denunciar a tramoia de um processo destinado a atingir fatalmente Lula e seu partido e quantos rodavam em volta dele. O resto da mídia nativa passou a endeusar os criminosos e condenando Lula de antemão. Nunca deixamos de investir contra esta tramoia, merecedora até do apoio do Departamento de Estado e da CIA. Há cerca de quatro anos, publicamos texto exemplar de um grande jurista italiano de fama mundial, Luigi Ferrajoli, que desnudava o complô urdido pretensamente em nome da Justiça.

Hoje o Nordeste é o Brasil melhor enquanto São Paulo tornou-se o estado mais reacionário

 

 

Em momento algum CartaCapital fraquejou, pelo contrário, sempre insistiu quanto à fantasiosa manobra conduzida à sombra da Lava Jato, no alvorecer ­ainda­ de uma série de golpes para nos entregar ao cabo a um presidente em estado de demência.

Lula sempre foi o nosso candidato, e continua a sê-lo neste momento, quando a perspectiva se aclara e a conduta do STF confirma o acerto da nossa postura. Em lugar de glorificar os principais autores do plano, cuidamos de mostrar o quanto eles haviam discrepado das normas mais comezinhas do Direito e da lei. Lula sempre fez jus ao nosso apoio irrestrito, e o tem agora no mesmo instante em que se confirma tudo quanto dissemos, desde o momento em que a chamada República de Curitiba deu para agir como cupim nefasto.

O campo da batalha final, tudo indica, será o próprio fundão, hoje iluminado por grandes propósitos para redimir o País. Percebe-se que o ex-capitão já entendeu onde o confronto haverá de ser decidido e nos últimos tempos, de fato, mostrou clara preocupação quanto às suas próprias cotações no ex-fundão, pronto a dar lições de consciência cívica nos dias de hoje e em relação ao futuro.

Para CartaCapital é motivo de orgulho verificar que, a esta altura, o resto da operação midiática não somente é obrigado a rever os posicionamentos, mas a se dobrar diante daquilo que foram as nossas certezas. Lula continua, portanto, a ser a nossa aposta, a solução definitiva para este nó da nossa história que é premente desatar.

PUBLICADO NA EDIÇÃO Nº 1163 DE CARTACAPITAL, EM 24 DE JUNHO DE 2021.
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