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Fifa, Mussolini, Médici e Trump
Com o Brasil eliminado de maneira humilhante nas oitavas de final, só nos resta torcer contra a seleção dos EUA
“O que finalmente eu mais sei sobre a moral e as obrigações do homem devo ao futebol…” – Albert Camus
Quando decidi não ir à Copa nos EUA , embora apaixonado por futebol e com vários convites para camarotes, incluindo passagens e hotéis, era na verdade um simples registro contra a prepotência do governo Trump. Completamente irrelevante esta minha atitude, mas uma maneira singela de demonstrar que a decadente nação norte-americana coloca cada vez mais vários valores em xeque. E desde muito cedo as ações arbitrárias e autoritárias do governo Trump colocaram em dúvida se a Copa do Mundo deveria ter sido em solo de um país com um governo sem limites, autoritário.
Foram muitos os abusos contra alguns países, contra seleções, jogadores, juízes, torcedores. Mas a paixão pelo futebol e a quantidade de dinheiro envolvido trataram de passar tudo para um terceiro ou um quarto plano. O que interessava era seguir o jogo.
A interferência da extrema-direita em Copas do Mundo já havia ocorrido com o ditador Benito Mussolini, que, na edição de 1934, realizada na Itália, influenciou a indicação dos juízes e usou a competição como uma ferramenta de propaganda fascista. Tanto interferiram que a Itália sagrou-se campeã.
É conhecida a interferência do ditador brasileiro Garrastazu Médici em 1970, durante a ditadura militar, quando pressionou o então técnico da seleção, João Saldanha, exigindo a convocação do jogador Dadá Maravilha. Saldanha deu uma resposta histórica: “o presidente escala os ministérios e eu escalo a seleção”. Foi demitido em março de 1970, e Zagallo assumiu e manteve o trabalho de João Saldanha para ganhar o tricampeonato.
Agora, nos EUA, chega a notícia de que a Casa Branca fabricou um dossiê contra um árbitro brasileiro para pressionar a Fifa. Mas o mais grave, que atenta contra a competição e humilha a Fifa, foi o registrado no New York Times : o presidente Donald Trump ligou para Gianni Infantino, presidente da Fifa, e exigiu a anulação da expulsão do jogador dos EUA Folarin Balogun.
Com esta ultrajante anulação, o jogador poderá enfrentar a Bélgica nas oitavas de final. E Trump, prepotente e arrogante, ainda agradeceu publicamente pela decisão. A Federação Belga registrou seu inconformismo e tanto a Uefa quanto a Comissão Europeia criticaram duramente a Fifa.
Claro que estes protestos não são ouvidos pela entidade e muito menos por Trump. Com o Brasil eliminado de maneira humilhante nas oitavas de final, só nos resta torcer contra a seleção dos EUA.
Lembrando o nosso poeta Carlos Drummond em Quando é dia de futebol:
“Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma”
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