“Partimos para o socialismo”, diz Carlos Bolsonaro sobre crise do coronavírus

O filho do presidente acredita que o momento faz parte de um plano da esquerda para introduzir o socialismo no país

Foto: Renan Olaz/CMRJ

Foto: Renan Olaz/CMRJ

Política

O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho 02 do presidente, voltou a causar em suas redes sociais. Nesta quarta-feira 01, o político escreveu em suas redes sociais que o Brasil “partiu para o socialismo” com a crise causada pelo coronavírus. “O desenho é claro: partimos para o socialismo. Todos dependentes do estado até para comer, grandes empresas vão embora e o pequeno investidor não existe mais”, justificou.

Pelo texto compartilhado, o vereador acredita que o momento faz parte de um plano da esquerda para introduzir o socialismo no país. “Conseguem a passos largos fazer o que tentam desde antes de 1964. E tem gente preocupada com a fala do presidente”, disse Carlos, se referindo ao golpe militar no Brasil, que na época se justificou para barrar o comunismo.

Em outra postagem, o vereador criticou os liberais que, para ele, ajudam a esquerda em seu plano de dominação. “Com prudência e sofisticação, o ‘liberal’ vai cumprindo seu eterno papel: o papel higiênico da esquerda em troca de migalhas”, afirmou.

Nesta terça-feira 31, Carlos ganhou uma sala fixa no Palácio do Planalto. A sala, próxima ao gabinete de seu pai, no terceiro andar, já vem sendo utilizada pelo parlamentar desde o início da semana. O espaço pertence ao assessor internacional da Presidência, Filipe Martins, que segue em quarentena após ter contraído o coronavírus. A expectativa do seu retorno é nesta quarta-feira, 01 de abril.

De sua nova instalação, Carlos Bolsonaro estaria coordenando a ofensiva do governo nas redes sociais e também o tom adotado em meio à pandemia do coronavírus. O vereador vem sendo diretamente associado ao fatídico pronunciamento de 24 de março do presidente Jair Bolsonaro em que, diferentemente das recomendações sanitárias do ministério da Saúde em meio ao avanço da covid-19, questionou a quarentena, defendeu o isolamento vertical a idosos e pessoas com doenças e estimulou a retomada das atividades pela maioria da população, além de ter chamado a doença de “gripezinha” e “resfriadinho”.

Carlos Bolsonaro, assim como o deputado federal Eduardo Bolsonaro e outros seguidores da ala olavista, são associados ao gabinete do ódio, uma espécie de bunker ideológico que atua como conselho do governo Bolsonaro. O grupo também é conhecido por disseminar fakenews nas redes sociais.

No contexto do coronavírus, a rede bolsonarista tem produzido vídeos a favor da reabertura de comércios e shoppings para pressionar governadores e prefeitos a flexibilizar as regras de isolamento.

Na última semana, o vereador participou de uma teleconferência do presidente com governadores do Sul e do Norte, que tinha como objetivo traçar estratégias de enfrentamento ao coronavírus. Ele também já esteve presente em outras reuniões administrativas de âmbito federal que ultrapassam as atividades de seu mandato.

Na sexta-feira 27, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) protocolou um requerimento à Presidência da República solicitando informações sobre a presença de Carlos Bolsonaro no Planalto. “Ele não é funcionário contratado, não é ministro, não é nada. Qual a função desse cidadão no Planalto, no governo? Isso precisa ser esclarecido à sociedade”, questiona Valente. O Planalto deve se manifestar sobre o requerimento de informações.

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Repórter do site de CartaCapital

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