Justiça
Barroso classifica como ‘fofoca’ mensagens vazadas da Lava Jato
Para o ministro do STF, nada encobre a corrupção sistêmica, estrutural e institucionalizada que houve no Brasil
O ministro do STF Luíz Roberto Barroso se pronunciou pela primeira vez sobre os vazamentos de conversas entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e integrantes da Lava Jato do MPF. Para o jurista, os diálogos são fofocadas produzidas por criminosos. “É impressionante quantidade de gente que está eufórica com os hackeadores, celebrando o crime”, afirmou o ministro.
A declaração de Barroso aconteceu nesta sexta-feira 2, em uma palestra na cidade de São José dos Campos. Ele participava de um evento da Associação Comercial e Industrial da cidade.
Para o ministro, nada encobre a corrupção sistêmica, estrutural e institucionalizada que houve no Brasil. “Apesar de todo estardalhaço que está sendo feito, nada encobre o fato de que a Petrobras foi devastada pela corrupção. Não importa o que saia nas gravações”, afirmou.
Barroso também falou sobre o conteúdo das conversas vazadas. Para ele, há mais fofocas do que fatos relevantes, apesar do esforço de maximizar esses fatos.
As conversas que o ministro se referiu foram divulgada pelo site The Intercep Brasil em julho deste ano. Nela, o então juiz da força tarefa da Lava Jato de Curitiba, Sérgio Moro, troca informações com os procuradores do MPF. O jurista chegou a adiantar decisões e direcionar as investigações, algo proibido pela Constituição Federal.
As mensagens foram obtidas por supostos hackers que invadiram o celular do ministro e recuperaram diálogos desde 2015 pelo aplicativo de conversas Telegram.
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