Bem-Estar

TDAH em adultos vai além da falta de foco: conheça sinais que caracterizam o transtorno

Esquecer compromissos, adiar tarefas importantes, começar várias atividades e ter dificuldade para concluí-las. Durante anos, comportamentos como esses podem ser interpretados como falta de organização, preguiça ou ausência de disciplina. Em alguns adultos, porém, a explicação pode estar relacionada ao Transtorno do Déficit de Atenção […]

TDAH em adultos vai além da falta de foco: conheça sinais que caracterizam o transtorno
TDAH em adultos vai além da falta de foco: conheça sinais que caracterizam o transtorno
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Esquecer compromissos, adiar tarefas importantes, começar várias atividades e ter dificuldade para concluí-las. Durante anos, comportamentos como esses podem ser interpretados como falta de organização, preguiça ou ausência de disciplina. Em alguns adultos, porém, a explicação pode estar relacionada ao Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

O diagnóstico na vida adulta pode acontecer depois de anos de dificuldades no trabalho, nos estudos e na rotina. O desafio está justamente em diferenciar o transtorno de situações que também prejudicam atenção e organização, como ansiedade, estresse, burnout e excesso de estímulos digitais.

Para o psiquiatra Dr. Rafael Fabri, não é um comportamento isolado que define o TDAH. “Todo mundo pode procrastinar, esquecer alguma coisa ou perder a concentração em determinados momentos. No TDAH, precisamos observar a persistência desses sintomas, o impacto que eles provocam na vida da pessoa e a presença de dificuldades semelhantes em diferentes contextos. O diagnóstico é clínico e exige uma avaliação cuidadosa”, explica.

Procrastinar nem sempre é falta de vontade

A pessoa pode saber exatamente o que precisa fazer e, ainda assim, ter dificuldade para iniciar ou concluir uma tarefa. Esse padrão pode gerar culpa e a sensação de incapacidade. “Uma característica frequentemente relatada por adultos com TDAH é a dificuldade de transformar intenção em ação. A pessoa sabe que precisa realizar determinada atividade, mas encontra uma barreira para começar, manter a atenção ou organizar as etapas necessárias. Isso não deve ser confundido automaticamente com falta de esforço”, afirma o Dr. Rafael Fabri.

Ansiedade também pode afetar a concentração

Preocupações constantes, pensamentos acelerados e tensão emocional podem prejudicar a atenção. Por isso, sintomas de ansiedade precisam ser considerados antes de atribuir toda dificuldade de concentração ao TDAH.

“Ansiedade, estresse e TDAH podem apresentar sintomas semelhantes, mas possuem mecanismos e características diferentes. Em alguns casos, inclusive, podem coexistir. Por isso, é importante entender quando os sintomas começaram, em quais situações aparecem e quanto interferem na vida do paciente”, orienta o médico.

Pessoa utilizando um smartphone enquanto diversas notificações de mensagens, e-mails e redes sociais aparecem ao redor da tela.
O excesso de notificações pode contribuir para uma atenção mais fragmentada (Imagem: RoBird | Shutterstock)

O excesso de estímulos digitais pode piorar a atenção

Notificações, vídeos curtos e a alternância constante entre diferentes conteúdos podem dificultar a manutenção da atenção, especialmente em pessoas que já apresentam alguma vulnerabilidade.

“O ambiente digital pode contribuir para uma atenção mais fragmentada, mas não devemos confundir esse efeito com o diagnóstico de TDAH. O transtorno não surge simplesmente porque uma pessoa utiliza muito o celular. Precisamos avaliar a história do paciente e a presença dos sintomas ao longo da vida”, ressalta o psiquiatra.

Diagnóstico tardio pode trazer respostas importantes

Muitos adultos chegam ao diagnóstico depois de desenvolverem estratégias próprias para compensar as dificuldades. Outros passaram anos atribuindo os problemas à personalidade ou à falta de disciplina.

“O diagnóstico pode ajudar o paciente a compreender uma trajetória de dificuldades que muitas vezes foi marcada por culpa e autocrítica. Mas ele não deve ser visto como um rótulo. O objetivo é entender o funcionamento daquela pessoa e definir, quando necessário, estratégias de tratamento individualizadas”, conclui o Dr. Rafael Fabri.

Por Sarah Carvalho

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