Política

Lula promete tomar ‘decisão mais drástica’ contra bets

O presidente realizou nesta terça-feira uma reunião para discutir os impactos das apostas

Lula promete tomar ‘decisão mais drástica’ contra bets
Lula promete tomar ‘decisão mais drástica’ contra bets
01.09.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião sobre Bets, no Palácio do Planalto, Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert
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O presidente Lula (PT) afirmou nesta terça-feira 1º, durante reunião no Palácio do Planalto, que, se dependesse de sua vontade, acabaria com as bets e que o governo está próximo de adotar uma medida “drástica” contra as plataformas de apostas. Segundo o petista, “dois terços” da decisão já estão tomados, mas falta ouvir a sociedade antes de anunciá-la.

“Eu, pessoalmente, acabava com as bets, acho que é um mal para a sociedade”, disse Lula. Ele afirmou, porém, que precisa considerar outros fatores antes de tomar uma decisão como chefe do Executivo. “Como presidente, eu tenho que saber que tem outras coisas, tenho que compartilhar decisões para que a gente possa fazer da forma mais correta possível, sem comprometer a estabilidade política, social e econômica do País”.

De acordo com o petista, seu governo já tentou regular as apostas e também proibi-las, mas não conseguiu impedir a atuação de plataformas clandestinas. “A gente tentou regular, tentou proibir. Mas proibir 60 mil bets clandestinas não é fácil. O nosso Procon não tem condição de fiscalizar, não tem estrutura para tanto bandido junto”, declarou.

Lula também questionou a capacidade do Estado de acompanhar a velocidade de expansão das apostas pela internet e disse considerar que o problema deixou de estar restrito a ambientes específicos e passou a fazer parte da rotina das famílias, inclusive de crianças e adolescentes.

Reclamou ainda que medidas adotadas pelo seu governo, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda e descontos na conta de luz e compra de botijão de gás, não levaram o efeito desejado às finanças da população devido ao endividamento causado pelas apostas online.

O presidente também comentou sobre a presença das bets no futebol e os efeitos do dinheiro das plataformas sobre o esporte. “Aquilo que era jogo de azar tomou conta do País. O futebol melhorou com isso? Não melhorou. Os times estão piores, os jogadores estão piores”, pontuou.

A reunião no Palácio do Planalto reuniu representantes da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e do Instituto de Defesa de Consumidores (Idec).

Também participaram representantes da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e da Universidade de São Paulo (USP), além de integrantes do Instituto Alana, do Centro Clarice e da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

A produtora Paula Lavigne e o compositor Emicida, do Bloco do Tigrinho, e o influenciador Yuri Zero, conhecido como Melted, e também estiveram no encontro.

Nenhuma empresa de apostas participou da reunião. O encontro foi organizado para discutir os impactos das bets sobre a sociedade e ouvir diferentes setores antes de o governo definir novas medidas para enfrentar os problemas associados às plataformas.

Dados do Ministério da Fazenda divulgados em agosto dimensionam o mercado que o governo pretende restringir. As bets autorizadas a operar em nível federal receberam 220 bilhões de reais em depósitos ao longo de 2025.

Desde a regulamentação do setor, o governo já impôs restrições à publicidade das plataformas e determinou o bloqueio do acesso de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada às bets.

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