Política

‘Oramos para que o País continue avançando’: grupos evangélicos divulgam carta de apoio a Lula

Em meio à disputa pelo eleitorado religioso, diferentes movimentos evangélicos articulam apoio ao petista, cobrando justiça social e a defesa da democracia

‘Oramos para que o País continue avançando’: grupos evangélicos divulgam carta de apoio a Lula
‘Oramos para que o País continue avançando’: grupos evangélicos divulgam carta de apoio a Lula
Evangélicos representaram uma dificuldade de aproximação, após acoplamento do grupo com Bolsonaro. Foto: Ricardo Stuckert - PT
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Eleições 2026

Em um cenário eleitoral em que a religião permanece no centro da disputa política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o apoio formal de novos setores evangélicos para a sua candidatura à reeleição em 2026. Nesta segunda-feira 31, três entidades do segmento assinaram uma carta aberta em defesa do quarto mandato do petista: a Associação das Igrejas e Templos Evangélicos de Médio e Pequeno Porte do Estado do Rio de Janeiro, a Associação de Mulheres Evangélicas com Cristo e Pela Vida e o Movimento Jesus Libertador.

A aproximação busca reduzir a resistência de um segmento que compõe 26,9% da população brasileira, segundo dados do IBGE, e que se consolidou como uma das principais pedras no sapato do governo. Desde a ascensão e a gestão de Jair Bolsonaro, a extrema-direita construiu uma forte hegemonia ideológica sobre lideranças e fiéis evangélicos. Na corrida eleitoral de 2026, com Lula buscando conter a rejeição no setor diante de nomes como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), as declarações de apoio de movimentos da base religiosa ganham peso estratégico.

Na manifestação enviada ao Palácio do Planalto, as entidades afirmam que o governo Lula atua com respeito à diversidade religiosa e fundamentam a aliança em preceitos bíblicos, citando Isaías 1:17 (“aprendam a fazer o bem, busquem a justiça, socorram o oprimido”). O documento destaca a criação histórica do Dia Nacional da Marcha para Jesus, do Dia do Evangélico e o reconhecimento de manifestações artísticas cristãs como patrimônio cultural. As organizações ressaltam ainda a ligação entre os ensinamentos do Evangelho e políticas de proteção social, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida.

“Defendemos um Brasil onde ninguém seja perseguido por sua fé. Oramos para que o País continue avançando na superação da fome, da pobreza, das desigualdades e de todas as formas de exclusão”, diz um trecho do manifesto, que também reforça a defesa da segurança no pleito e a candidatura da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) ao Senado.

A adesão ao projeto petista ganha contornos que vão além das assinaturas institucionais e alcançam as bases eclesiásticas no cotidiano das periferias.

É o caso de Nara Lucia, líder do núcleo de oração da Primeira Igreja Batista em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, que declarou voto no presidente. “Esse não é um assunto que ficamos comentando durante as orações do culto ou na vigília, mas particularmente, fora do templo, não tenho como esconder meu apoio a Lula: um nordestino como eu e que nos ensina que ser cristão se percebe muito mais pelo testemunho do dia a dia do que por meros discursos”, pontua ela em contato com CartaCapital ao questionar o uso instrumental da fé por opositores. “O outro [Bolsonaro] e seu filho apenas dizem que são cristãos. Mas até o diabo disse que era filho de Deus, tá na Bíblia.”

Frente pelo Estado de Direito reforça apoio

A declaração conjunta da AITEMPERJ, Amevida e Jesus Libertador soma-se ao posicionamento divulgado na última semana pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. Criado em 2016 durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, o movimento — fundado por lideranças como o pastor Ariovaldo Ramos, a jornalista Nilza Valéria e o ex-preso político Anivaldo Padilha — aprovou por unanimidade, em encontro nacional no Rio de Janeiro, o apoio à reeleição de Lula.

Em carta pública, a Frente contesta a ideia de que o eleitorado evangélico seja um bloco homogêneo ou alinhado exclusivamente à extrema-direita. O grupo destaca que a opção por Lula responde ao compromisso com a democracia e a justiça social, sem significar adesão incondicional ou “cheque em branco” ao governo.

Ao combater o uso do termo “voto evangélico” como um comportamento eleitoral único e previsível, os movimentos cristãos que apoiam o atual presidente buscam disputar o sentido público da fé. O objetivo declarativo é demonstrar que a defesa dos direitos humanos, da soberania e do combate à fome é perfeitamente convergente com o Evangelho.

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