Justiça

Vorcaro fez novo repasse para ‘Dark Horse’ após Flávio Bolsonaro dizer que pagamentos haviam acabado, diz revista

Relatório do Coaf mostra transferência de US$ 1,66 milhão em setembro de 2025, oito dias depois de cobrança do senador. Uma conversa de outubro indica possível nova parcela

Vorcaro fez novo repasse para ‘Dark Horse’ após Flávio Bolsonaro dizer que pagamentos haviam acabado, diz revista
Vorcaro fez novo repasse para ‘Dark Horse’ após Flávio Bolsonaro dizer que pagamentos haviam acabado, diz revista
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Fotos: Edilson Rodrigues/Agência Senado e Esfera Brasil/Reprodução
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Um relatório do Coaf mostra que Daniel Vorcaro continuou a financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL), após a data em que Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que os pagamentos haviam terminado. A informação foi revelada pela revista piauí nesta terça-feira 1º.

Segundo o documento obtido pelo veículo, Vorcaro transferiu 1,6 milhão de dólares, em 16 de setembro de 2025, para o Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas que recebia os recursos destinados à produção. O repasse ocorreu oito dias depois de Flávio ter cobrado o banqueiro por parcelas atrasadas.

A nova transferência contradiz uma declaração do senador em entrevista à GloboNews, em 14 de maio. Ao tentar explicar um áudio em que cobrava dinheiro de Vorcaro para o longa, Flávio afirmou que o último pagamento havia ocorrido em maio de 2025.

A declaração não corresponde aos registros do Coaf. Com o pagamento de setembro, o total conhecido enviado por Vorcaro ao filme passou de 10,6 milhões para 12,3 milhões de dólares. O acordo entre as partes previa 24 milhões, divididos em 14 parcelas.

O pagamento também chama atenção porque ocorreu depois de uma cobrança direta de Flávio. Em áudio enviado a Vorcaro em 8 de setembro, o senador disse que havia muitas parcelas atrasadas e que a equipe estava sob pressão: “Como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso […]. A gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui.”

No mesmo áudio, o senador dizia que o filme estava em um momento decisivo e alertava para as consequências da falta de dinheiro, citando a possibilidade de perda de atores, diretor e equipe.

Em 22 de outubro, o publicitário Thiago Miranda, que participou da captação dos recursos para Dark Horse, perguntou a Vorcaro: “Consegue liberar as parcelas do filme? Se não vai parar tudo por lá 😐.”

Vorcaro respondeu: “Sim. Liberei mais uma hoje.”

Miranda então escreveu: “Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar tb.”

Vorcaro pediu que Miranda transmitisse suas desculpas a Flávio pelos atrasos nas parcelas. A conversa, porém, não informa o valor do pagamento nem permite confirmar que a transferência tenha efetivamente sido realizada. Caso tenha sido outra parcela de 1,6 milhão de dólares, o total desembolsado por Vorcaro chegará a pelo menos 14 milhões de dólares, cerca de 72 milhões de reais.

Foto: Reprodução redes sociais

A nova informação vem à tona em meio a uma cobrança que Flávio ainda não esclareceu. Em maio, depois de o Intercept Brasil revelar as mensagens e o áudio em que ele pedia dinheiro a Vorcaro, o senador prometeu que pediria à produtora Go Up Entertainment e ao fundo Havengate uma prestação de contas das despesas do filme em até 30 dias.

O prazo passou sem que os dados fossem divulgados publicamente. Em julho, nem Flávio nem a produtora haviam apresentado a prestação de contas prometida. Em agosto, o senador passou a afirmar que o balanço já havia sido feito pela produtora e chamou o caso de “página virada”.

Dias depois, Flávio recuou da promessa de prestar os esclarecimentos pessoalmente. Ao ser questionado sobre o contrato com Vorcaro, afirmou que não era sua responsabilidade apresentá-lo. “Não cabe a mim”, disse. A campanha passou a atribuir à Go Up a responsabilidade pela divulgação dos dados.

Na entrevista à TV Globo em 28 de agosto, Flávio voltou a evitar detalhes sobre o contrato e disse que sua participação no filme havia se limitado a autorizar o uso de sua imagem e a captar investidores. Também afirmou que não havia firmado contrato com Vorcaro.

Em contato com CartaCapital, a campanha de Flávio Bolsonaro disse que a Go Up é a responsável pela gestão do dinheiro e é ela que deveria ser questionada sobre isso. A reportagem tenta contato com a produtora. O espaço segue aberto.

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