Justiça
Flávio Bolsonaro volta a fugir de perguntas sobre Vorcaro e tenta culpar imprensa
Candidato havia prometido divulgar informações sobre financiamento de ‘Dark Horse’, mas agora diz que responsabilidade é da produtora e questiona jornalistas sobre Lulinha
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, voltou a fugir de perguntas sobre o dinheiro destinado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à produção de Dark Horse, filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Participando de evento na Fiesp na segunda-feira 24, Flávio afirmou que a prestação de contas do longa já foi apresentada – embora a imprensa não tenha tido acesso – e tentou direcionar cobranças para o presidente Lula (PT) e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Antes de começar a se esquivar, Flávio prometeu transparência sobre o financiamento. Em maio, após o vazamento de um áudio em que pede dinheiro a Vorcaro para o projeto, o senador disse que solicitaria à produtora Go Up Entertainment uma prestação de contas detalhada em até 30 dias. Também afirmou, em julho, estar “100% disposto” a apresentar o contrato relacionado ao filme. O prazo terminou em 18 de junho, mas os documentos não foram divulgados publicamente.
Na segunda-feira, ao ser questionado novamente sobre o compromisso, Flávio disse que a responsabilidade pela prestação de contas a respeito do filme sobre a vida do próprio pai não é dele. “Quem tem que prestar conta não sou eu, é o Lula que tem que prestar conta”, disparou. Em outra resposta, questionou: “Vocês vão parar no tempo?” e afirmou que os jornalistas insistiam em uma “relação de fundo privado” sem contrapartida pública.
O que aconteceu com o dinheiro
Segundo informações reveladas pelo Intercepet Brasil sobre as mensagens de Flávio com Vorcaro, o senador negociou com o banqueiro até 24 milhões de dólares, cerca de 134 milhões de reais, para financiar Dark Horse. Os valores efetivamente transferidos por Vorcaro e identificados nas mensagens somam pelo menos 10,6 milhões milhões de dólares, aproximadamente 61 milhões de reais.
Os recursos enviados a pedido do senador foram destinados ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos. O fundo tinha como representante o escritório do advogado Paulo Calixto, que também atua para Eduardo Bolsonaro.
A própria produtora Go Up afirma, em laudo pericial anexado a um processo judicial, que Dark Horse custou 75 milhões de reais. Desse total, 54 milhões de reais teriam sido gastos nos Estados Unidos e 20,9 milhões de reais no Brasil. O laudo afirma que os recursos usados na produção tiveram origem privada e foram abastecidos pelo Havengate, mas não identifica detalhadamente os financiadores.
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