Política

Na volta do Congresso, Lula mira pautas com maior chance de acordo antes da eleição

Câmara e Senado retomam atividades em ritmo de esforço concentrado, enquanto governo tenta avançar em projetos econômicos e de segurança antes das eleições de outubro

Na volta do Congresso, Lula mira pautas com maior chance de acordo antes da eleição
Na volta do Congresso, Lula mira pautas com maior chance de acordo antes da eleição
O presidente Lula (PT). Foto: Pablo Porciuncula/AFP
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Eleições 2026

O Congresso Nacional retoma os trabalhos nesta segunda-feira 10 sob forte influência do calendário eleitoral. Deputados e senadores terão apenas duas semanas de esforço concentrado entre agosto e setembro, antes das eleições de outubro. Nesse cenário, o governo Lula (PT) decidiu concentrar a articulação em propostas que tenham maior possibilidade de acordo e deixar para depois da disputa eleitoral temas que enfrentam resistência no Legislativo.

A estratégia ocorre depois de uma sequência de dificuldades do Planalto no Congresso e de uma reaproximação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Os dois se reuniram na semana passada e discutiram justamente o calendário de votações. A intenção do governo é aproveitar o período reduzido de funcionamento para avançar em uma agenda considerada mais viável politicamente, sem insistir, neste momento, em matérias capazes de ampliar os conflitos com a oposição e com setores do próprio Congresso.

Entre as prioridades está o marco dos minerais críticos, projeto que já foi aprovado pela Câmara e aguarda análise do Senado. O governo vê potencial de acordo na proposta por considerar que ela pode estimular investimentos e fortalecer uma área estratégica da economia. A PEC da Segurança Pública também está no radar do Planalto. Aprovada pelos deputados, a proposta ainda precisa avançar no Senado e ganhou importância adicional por tratar de um tema que deve ocupar espaço na campanha.

Na agenda econômica, o governo pretende acompanhar a discussão sobre o aumento do limite de faturamento do MEI e a tramitação da medida provisória que revogou a chamada “taxa das blusinhas”. Também está entre as prioridades a regulamentação das bets, incluindo regras para sua oferta e publicidade. O Planalto ainda precisa trabalhar pela aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que estabelece as metas fiscais e as regras para a elaboração do próximo Orçamento.

Na Câmara, outra possibilidade de avanço é o projeto enviado pelo governo que permite utilizar receitas adicionais da exploração de petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis. A proposta está entre as matérias com maior chance de chegar ao plenário nesta semana. O texto, porém, ainda depende da articulação entre as lideranças partidárias, que se reúnem na terça-feira 11 para definir a pauta.

As propostas de maior resistência devem ficar em segundo plano. É o caso do fim da escala 6×1, uma das principais bandeiras do governo e da campanha de Lula, mas que não tem acordo no Senado. A avaliação no Planalto é que não há ambiente favorável para uma votação antes das eleições. A decisão, contudo, não é consensual dentro do governo nem entre petistas, e há pressão para que o tema avance ainda em 2026.

O calendário reduzido também impõe ao Congresso uma corrida contra o tempo para analisar medidas provisórias próximas do vencimento. Entre elas estão textos sobre crédito para exportadores atingidos pelo Plano Brasil Soberano, financiamento de caminhões e ônibus sustentáveis e o novo Desenrola Brasil

A combinação entre eleições e falta de acordos deve limitar ainda mais o espaço para grandes votações. Câmara e Senado só terão uma nova semana de esforço concentrado de 31 de agosto a 3 de setembro. Depois disso, a tendência é de que matérias mais controversas fiquem para o período posterior às eleições. Para Lula, o desafio será transformar a retomada do diálogo com Alcolumbre e a escolha de pautas mais negociáveis em resultados concretos antes que a campanha eleitoral reduza ainda mais o espaço para acordos no Congresso.

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