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EUA dizem que rompimento ‘não interessa’ e prometem respeitar eleição brasileira em meio a tensão diplomática

Manifestação ocorre às vésperas da campanha e após governo Donald Trump revogar visto de embaixadora brasileira

EUA dizem que rompimento ‘não interessa’ e prometem respeitar eleição brasileira em meio a tensão diplomática
EUA dizem que rompimento ‘não interessa’ e prometem respeitar eleição brasileira em meio a tensão diplomática
Reunião entre Donald Trump e Lula na Malásia, em 26 de outubro de 2025. Foto: Ricardo Stuckert/PR
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Em meio à tensão diplomática entre Brasília e Washington, os Estados Unidos prometeram respeitar o resultado das eleições brasileiras e manter relações com o governo que for escolhido nas urnas. A declaração foi dada em background (quando a fonte fala sob a condição de não ser identificada) neste domingo 9 por uma autoridade sênior do Departamento de Estado americano, em nota divulgada pela CNN Brasil e também obtida por CartaCapital.

“[O rompimento das relações] não é a situação que nos interessa. Atribuímos grande importância às relações com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que ele escolha livremente por meio de eleições livres e justas no Brasil”, diz o comunicado. “E temos respeitado e mantido relações com governos de ambos os lados do espectro político no Brasil, e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles”.

A manifestação ocorre às vésperas da campanha eleitoral e na esteira de atritos entre os dois países. Na mesma declaração, a autoridade norte-americana acusa o governo Lula (PT) de prolongar o impasse sobre a indicação de seu novo embaixador no Brasil.

O atraso na concessão do agrément a Daniel Perez foi a justificativa utilizada pelo Departamento de Estado para revogar o visto de Maria Ribeiro Viotti, chefe da representação brasileira nos EUA.

agrément é um mecanismo previsto pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, tratado que disciplina as relações entre os Estados desde 1961. Antes que um país nomeie oficialmente um embaixador, ele deve consultar, de forma reservada, o governo que receberá esse representante.

É somente após a concordância do governo anfitrião a indicação é tornada pública e o processo político interno segue seu curso. A própria Convenção de Viena estabelece que o Estado receptor pode aceitar ou rejeitar o indicado sem apresentar qualquer justificativa. Também não existe prazo para responder ao pedido. Na prática, isso significa que um governo pode conceder rapidamente o consentimento, levar meses para analisá-lo ou simplesmente nunca responder.

No caso de Perez, o rito não foi seguido e a indicação foi divulgada antes do aval do governo brasileiro. Em vez de consultar previamente e aguardar a resposta reservada, Washington tornou pública a indicação antes mesmo de encaminhar o pedido formal de agrément, deixando para consultar a chancelaria brasileira algumas semanas depois. A manobra provocou desconforto no Itamaraty por romper uma tradição diplomática até então consolidada entre os países.

O nome dele foi aprovado pelo Senado estadunidense na última sexta-feira, embora ainda não se tenha projeção sobre quando o governo brasileiro analisará a indicação dos EUA.

Como mostrou CartaCapital, a avaliação é de que qualquer tentativa de distensão neste momento teria custo político elevado. Entre diplomatas brasileiros, prevalece o diagnóstico de que a relação entre Brasília e Washington atravessa seu momento mais delicado dos últimos anos e dificilmente voltará à normalidade antes da definição das eleições de outubro.

De acordo com o alto funcionário do governo Trump, Perez é uma pessoa “extremamente qualificada” e disse que a escolha foi considerada importante pela relevância da relação entre os dois países.

Os EUA estão sem embaixador no Brasil desde a posse de Trump, em janeiro do ano passado. A última diplomata a ocupar a função foi Elizabeth Bagley, alinhada ao governo do democrata Joe Biden. Desde que ela deixou o posto, o principal representante americano no país é o encarregado de negócios.

No Brasil, porém, a proximidade do indicado com o secretário de Estado americano, Marco Rubio — que, por sua vez, mantém proximidade com a família Bolsonaro — alimenta no governo a avaliação de que Perez poderia, caso assumisse a embaixada em Brasília, atuar politicamente no processo eleitoral brasileiro.

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