Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Batalha do Santa Cruz, berço de nomes como Emicida e Rashid, completa 20 anos

Criado em um acesso do metrô na zona sul de São Paulo, o encontro tornou-se referência do hip hop e espaço de expressão, acolhimento e resistência para jovens das periferias

Batalha do Santa Cruz, berço de nomes como Emicida e Rashid, completa 20 anos
Batalha do Santa Cruz, berço de nomes como Emicida e Rashid, completa 20 anos
Criado em um acesso do metrô na zona sul de São Paulo, a Batalha do Santa Cruz tornou-se referência do hip hop e espaço de expressão, acolhimento e resistência para jovens das periferias (Foto: Lola Magalhãez)
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Em 18 de fevereiro de 2006, um sábado, um pequeno grupo de jovens se reuniu em um dos acessos da estação Santa Cruz do metrô, na zona sul de São Paulo. A proposta era simples: improvisar versos e disputar uma batalha de rimas. Sem estrutura, patrocínio ou expectativas, nascia ali um dos movimentos mais importantes da história recente do hip hop paulistano.

Duas décadas depois, a Batalha do Santa Cruz permanece como ponto de encontro de jovens artistas e completa 20 anos consolidada como espaço de formação, convivência e afirmação cultural. De suas rodas saíram rappers que alcançaram projeção nacional, entre eles Emicida, Rashid, Bivolt, Projota e Drik Barbosa.

Flow MC, um dos criadores da batalha, lembra que, naquele primeiro encontro, estavam presentes apenas ele, Leandro e algumas poucas pessoas. “A gente fez sem pretensão nenhuma”, recorda.

O Leandro citado por Flow adotaria mais tarde o nome artístico de Emicida e se tornaria um dos principais nomes da música brasileira. Como ele, outros artistas encontraram nas disputas de improviso um espaço para desenvolver a escrita, a presença de palco e a própria identidade.

“Foi lá que aprendi o fundamento do hip hop”, afirma Drik Barbosa, cuja trajetória também ganhou impulso a partir das rodas do Santa Cruz.

Mais do que revelar talentos, porém, a batalha se firmou como lugar de acolhimento para uma juventude majoritariamente negra e periférica. Para o DJ Dandan, personagem histórico do hip hop de São Paulo, muitos dos frequentadores chegam ao local em busca de reconhecimento, respeito e liberdade para expressar o que vivem e sentem.

“A Batalha do Santa Cruz é muito amor, luta, transformação e inclusão”, resume.

Gah MC, apresentador do encontro, destaca outra dimensão do movimento: a capacidade de ouvir. Para ele, a batalha é, sobretudo, um espaço para “exercitar a escuta” — uma prática essencial em um ambiente marcado pelo confronto de ideias, pela improvisação e pela diversidade de experiências.

Assista à reportagem completa:

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