Justiça

Vice de Flávio Bolsonaro é investigado por estupro de vulnerável no STF

O caso tramita sob sigilo na Corte. O deputado Alfredo Gaspar nega as acusações

Vice de Flávio Bolsonaro é investigado por estupro de vulnerável no STF
Vice de Flávio Bolsonaro é investigado por estupro de vulnerável no STF
Alfredo Gaspar (à esquerda na foto) é abraçado por Flávio Bolsonaro no evento de confirmação da montagem da chapa para concorrer à presidência – foto: Evaristo Sá/AFP
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Escolhido para ser o vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) é alvo de uma investigação no Supremo Tribunal Federal por suposto estupro de vulnerável.

A apuração foi solicitada pela Polícia Federal a partir de elementos apresentados por Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo Lula na Câmara, e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), no fim de abril. Os parlamentares apontaram indícios de que Gaspar teria estuprado uma adolescente de 13 anos, hoje com 21. Segundo o documento, a violência sexual resultou em uma gravidez, da qual nasceu uma menina, atualmente com oito anos.

Segundo a notícia-crime, a criança teria sido registrada como filha da avó materna para ocultar a identidade da vítima e do agressor. O documento também afirma que o deputado teria oferecido 70 mil reais, por meio de um intermediário, para comprar o silêncio da família. O caso tramita sob sigilo no STF.

Em abril, o ministro Gilmar Mendes, relator do caso, pediu uma manifestação da Procuradoria-Geral da República.

A reportagem apurou que o procurador-geral, Paulo Gonet, defendeu a realização de diligências preliminares antes de decidir se pediria ou não a abertura de um inquérito. Essa etapa ainda não foi concluída pela PF. Caso as diligências apontem elementos que justifiquem o aprofundamento da apuração, uma decisão sobre a situação do vice de Flávio poderá ocorrer ainda durante a campanha eleitoral.

Gaspar nega as acusações. Quando o caso veio a público, o deputado divulgou nas redes sociais um vídeo ao lado da mulher apontada na notícia-crime como a criança nascida do suposto estupro. Na gravação, ela afirma não ser filha do parlamentar: o pai biológico seria um primo de Gaspar, e ela teria sido concebida em uma relação consensual. Pela legislação brasileira, no entanto, qualquer relação sexual com menores de 14 anos configura estupro de vulnerável, independentemente de consentimento.

O deputado também anunciou ter fornecido material genético à Polícia Científica de Alagoas para a realização de um exame de DNA. “O maior interessado na instauração do inquérito policial sou eu. As investigações policiais irão provar os crimes dos quais fui vítima e robustecer minhas denúncias contra os parlamentares criminosos”, afirmou. Paralelamente, o bolsonarista acionou o Supremo contra Lindbergh e Soraya, acusando-os de calúnia.

Leia uma das notas que Gaspar divulgou na ocasião: 

Ao longo de toda a minha vida pública, construí uma trajetória limpa, honrada e dentro da lei. Sempre atuei com firmeza no combate ao crime e jamais me afastei dos princípios que norteiam minha conduta.

As acusações recentemente levantadas por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke são falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis. Trata-se de uma tentativa clara de desviar o foco das graves investigações conduzidas pela CPMI do INSS, por meio de ataques pessoais e narrativas sem qualquer respaldo na realidade.

Não aceitarei que minha honra e minha história sejam atingidas por mentiras. Adotarei todas as medidas judiciais cabíveis para responsabilizar os autores dessas acusações, inclusive no âmbito do Conselho de Ética. Estou indo na Polícia Federal prestar uma notícia crime por coação no curso do processo e denunciação caluniosa.

Seguirei firme, com serenidade e responsabilidade, cumprindo meu dever com a verdade e com o povo brasileiro. O Brasil merece respeito, e não será enganado por ataques desesperados“.

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