Política

Centrão fecha a porta para Flávio Bolsonaro e amplia pressão no PL por chapa puro-sangue

Neutralidade de Republicanos, União Brasil e PP e a tendência de o Podemos seguir o mesmo caminho deixam o candidato sem alianças nacionais e dificultam a escolha de uma vice

Centrão fecha a porta para Flávio Bolsonaro e amplia pressão no PL por chapa puro-sangue
Centrão fecha a porta para Flávio Bolsonaro e amplia pressão no PL por chapa puro-sangue
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Foto: Sergio Lima/AFP
Apoie Siga-nos no
Eleições 2026

A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de construir uma aliança com partidos do Centrão para fortalecer sua candidatura ao Palácio do Planalto sofreu mais um revés nesta terça-feira 4. O Republicanos oficializou a decisão de permanecer neutro na disputa presidencial, reforçando um movimento que já havia sido adotado pela federação União Progressista (União Brasil e PP) e que tende a ser seguido pelo Podemos. O cenário deixa o senador cada vez mais próximo de disputar a eleição apenas com o PL e de recorrer a um nome da própria legenda para a vice-presidência.

O impacto mais imediato recai sobre a composição da chapa. O Republicanos era a principal aposta de Flávio para indicar a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e considerada pelo senador como ideal para a vice. Com a neutralidade da legenda, a possibilidade praticamente desaparece, já que a indicação depende de uma coligação formal entre os partidos. 

Antes disso, a campanha já havia perdido a possibilidade de atrair a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Embora a ex-ministra da Agricultura tenha aceitado discutir a composição, a direção do PP decidiu manter a neutralidade da federação União Progressista e inviabilizou sua participação na chapa. O partido argumentou que a prioridade é preservar a unidade do grupo e as diferentes alianças estaduais, sem aderir formalmente a uma candidatura presidencial. 

O Podemos também tende a seguir esse caminho. Após consultar seus diretórios estaduais na segunda-feira 3, a projeção é que a legenda anuncie neutralidade, retirando do radar a deputada Renata Abreu (SP), presidente nacional do partido, que vinha sendo sondada para ocupar a vice de Flávio. Entre os argumentos apresentados internamente estão a necessidade de preservar acordos regionais, inclusive em estados onde o partido caminha ao lado do PT, além da prioridade de ampliar suas bancadas no Congresso Nacional. 

Nos bastidores, porém, a resistência do Centrão vai além da justificativa oficial de respeitar as alianças estaduais. Dirigentes dessas legendas avaliam que uma aliança formal com Flávio pode representar um risco político elevado em uma campanha marcada por incertezas. Integrantes do PP, do União Brasil e do Republicanos demonstram preocupação com a possibilidade de novos desgastes envolvendo o senador durante a corrida eleitoral, especialmente em razão das investigações relacionadas ao caso Banco Master e ao financiamento do filme Dark Horse, além de outros episódios que têm atingido sua campanha. Essas preocupações já haviam levado as negociações com a federação União Progressista a perder força nos últimos dias. 

Outro fator citado por dirigentes é o receio de desgaste decorrente de uma aproximação com o bolsonarismo. Lideranças do Centrão manifestaram o temor de ampliar atritos com o Supremo Tribunal Federal no momento em que partidos como Republicanos e União Brasil já convivem com investigações envolvendo integrantes de suas bancadas. A avaliação também considera que uma eventual decisão judicial contra Flávio durante a campanha poderia atingir diretamente as legendas que estivessem formalmente coligadas a ele. 

Há ainda um componente eleitoral. Lideranças entendem que a neutralidade lhes permite preservar palanques em estados onde Lula (PT) mantém força, ao mesmo tempo em que evitam romper pontes com o eleitorado de direita. Com isso, conseguem concentrar esforços na eleição de deputados e senadores, objetivo considerado prioritário pelas direções nacionais das siglas.

Aliados de Flávio, no entanto, têm usado parte da imprensa para transmitir recados sobre um possível apoio destes partidos à candidatura bolsonarista em um eventual segundo turno. Para estes interlocutores, os partidos poderão “sofrer consequências” por não apoiarem o senador no primeiro turno.

Sem conseguir romper essa sequência de negativas, o PL já trabalha com a possibilidade de uma chapa “puro-sangue”. Entre as cotadas para a vice estão as deputadas federais Júlia Zanatta (SC) e Priscila Costa (CE). Embora a direção do partido afirme que ainda tentará atrair uma legenda até o fim do prazo das convenções, o isolamento político reduz as alternativas de Flávio, limita seu potencial de ampliar o tempo de propaganda eleitoral e reforça a estratégia de concentrar a campanha no eleitorado mais identificado com o bolsonarismo.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo