Política

Os fatores decisivos para o avanço de Raquel Lyra contra João Campos nas pesquisas

Controle da máquina, ajuste da rota digital relação hábil com Lula ajudam a explicar o avanço da governadora

Os fatores decisivos para o avanço de Raquel Lyra contra João Campos nas pesquisas
Os fatores decisivos para o avanço de Raquel Lyra contra João Campos nas pesquisas
Raquel Lyra e João Campos. Foto: Ricardo Stuckert/PR
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Eleições 2026

O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) figurou por meses como o grande favorito a conquistar o governo de Pernambuco neste ano, mas viu a governadora Raquel Lyra (PSD) ganhar tração nas pesquisas e chegar com vigor a esta reta final de pré-campanha. Há diferentes razões para a virada, mas uma delas se destaca: o controle da máquina pública.

No fim de abril, o instituto Quaest mostrava Campos com 42% das intenções de voto, ante 34% de Raquel. Na mais recente rodada, realizada entre 22 e 26 de julho, houve uma inflexão. A governadora desponta com 43%, enquanto o ex-prefeito marca 37%.

Os dois estão tecnicamente empatados no limite da margem de erro, de três pontos percentuais. Ainda assim, a trajetória de crescimento de Raquel — também registrada por outras pesquisas — revela uma mudança inequívoca na dinâmica da disputa.

Por exigência legal, Campos teve de se desincompatibilizar para concorrer ao governo: deixou a prefeitura da capital em 2 de abril e perdeu o controle da máquina. Raquel, por outro lado, continuou no cargo e intensificou a agenda de entregas — a legislação eleitoral permitia que governadores inaugurassem obras públicas até 4 de julho.

Raquel Lyra chega à campanha impulsionada pela máquina, uma base municipal robusta e ajustes na comunicação. Campos conserva o apoio de Lula e força na esquerda

Entre a saída de Campos da prefeitura e o início de julho, Raquel Lyra cresceu nos levantamentos. É como se a governadora tivesse “estocado” para esse intervalo uma boa leva de entregas pendentes, explica a cientista política Priscila Lapa.

“Pela manhã, ela estava na região metropolitana e, à noite, ia ao sertão, o que dá à sociedade uma percepção de ritmo de entregas — o mesmo ritmo que João tinha quando prefeito do Recife”, diz Lapa.

A musculatura política de Raquel Lyra também se fortaleceu. Em março de 2025, ela trocou o decadente PSDB, pelo qual se elegeu em 2022, pelo robusto PSD de Gilberto Kassab. Quatro meses depois, os pessedistas inauguraram uma nova sede no Recife e celebraram a marca de 70 prefeitos no estado — mais de um terço dos 185 municípios. A governadora é a presidenta do PSD em Pernambuco.

Raquel também ajustou sua estratégia digital, explica Priscila Lapa. Trata-se de um terreno em que João Campos nadava de braçada, enfileirando vídeos virais em redes sociais como o TikTok. A saída da prefeitura, acrescenta , também contribuiu para adversários tentarem colar no candidato do PSB a pecha de “marqueteiro”, uma vez que ele não tinha novas entregas a apresentar.

Lula, o fiel da balança?

Não é possível, contudo, abordar a eleição em Pernambuco sem mencionar o papel do presidente Lula. A mais recente pesquisa Quaest aponta que o petista lidera as intenções de voto no estado com 55%, ante 21% do segundo colocado, Flávio Bolsonaro (PL). Em um eventual segundo turno, o presidente venceria o senador por 58% a 24%.

Campos é, oficialmente, o candidato de Lula e buscará explorar ao máximo esse carimbo, em busca de retomar a dianteira na corrida, enquanto aliados fustigarão Raquel com perguntas sobre seu voto para presidente. Apesar disso, a governadora tem se mostrado hábil no diálogo com o petista, especialmente a partir da decisão de deixar o PSDB. É, a rigor, uma relação harmoniosa.

Em 2022, Raquel conseguiu atrair o voto da direita e venceu Marília Arraes (Solidariedade) no segundo turno por 59% a 41%. Neste ano, pode haver uma reedição do cenário, indica a Quaest: no primeiro turno, a candidata do PSD tem 73% das intenções de voto entre bolsonaristas e 61% na direita não bolsonarista. Entre os independentes, ela lidera por 47% a 31%. Considerando que a extrema-direita não terá um representante formal no pleito, a governadora espera mais uma vez convencer quem não deseja votar na esquerda.

“Ou o eleitor bolsonarista vota em João, que já declarou fortemente apoiar Lula e que faz um discurso muito mais alinhado à esquerda, ou se contenta com Raquel – que, apesar de não declarar em quem vota para presidente, tem um trânsito muito fácil com o governo Lula”, resume Priscila Lapa.

No eleitorado lulista, diz a Quaest, João Campos lidera por 54% a 33%. Na esquerda não lulista, empate técnico, com vantagem numérica para o postulante do PSB: 43% a 39%. É para avançar neste segmento que prefeitos alinhados à governadora já buscam emplacar o movimento “LuQuel”.

Campos, por sua vez, colará em Lula para diminuir o apoio à sua adversária no eleitorado do presidente. Outro eixo dessa estratégia parece ser o discurso de que os expoentes da direita pernambucana estão no palanque de Raquel.

Resta saber se o presidente mergulhará na candidatura do PSB ao Palácio do Campo das Princesas, como espera João Campos, ou se evitará antagonizar com Lyra, como defendem alguns aliados de Lula.

Apesar da virada registrada pelas pesquisas, a eleição permanece aberta. Segundo a Quaest, 41% dos entrevistados afirmam que ainda podem mudar o voto para o governo estadual. A campanha começará formalmente em 16 de agosto.

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