Justiça

TRE-GO cassa mandato de vereadora ‘malocrente’ por infidelidade partidária

Aava Santiago deixou o PSDB para se filiar ao PSB; a decisão ainda pode ser revertida no TSE

TRE-GO cassa mandato de vereadora ‘malocrente’ por infidelidade partidária
TRE-GO cassa mandato de vereadora ‘malocrente’ por infidelidade partidária
Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) cassou, nesta segunda-feira, 27, o mandato da vereadora de Goiânia Aava Santiago (PSB) por infidelidade partidária. A ação foi apresentada pelo PSDB, legenda pela qual ela foi eleita nas eleições municipais de 2024.

Na Justiça goiana, o partido tucano alegou que a desfiliação ocorreu à margem das hipóteses legais de justa causa, tais como a mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário, grave discriminação política pessoal e mudança de partido efetuada durante o período de 30 dias que antecede o prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição ao término do mandato.

Para o PSDB, a maneira como Aava saiu do partido violou a regra de fidelidade partidária que vincula o mandato à legenda pela qual a parlamentar foi eleita. A defesa de Aava disse que a lei dos partidos políticos – que impede vereadores de usar a janela partidária em ano de eleições gerais – deveria ser interpretada de forma a permitir que a mudança ocorra caso os vereadores pretendam disputar cargos federais ou estaduais.

Disse também que a saída da parlamentar foi combinada e autorizada verbalmente por lideranças nacionais, citando especificamente conversas com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Sustentou que a falta de uma carta formal não anulava o consentimento que teria sido dado de fato.

Os advogados de Aava alegaram ainda que o ambiente interno do partido se tornou hostil diante de uma mudança ideológica do PSDB, o que a forçou a abandonar a sigla, além de ter sofrido um boicote financeiro por receber um aporte menor para o diretório quando estava na presidência do PSDB devido a ela ser uma mulher.

Por maioria de votos, o TRE-GO julgou os pedidos procedentes e decretou a perda do mandato eletivo de Aava Santiago. Os desembargadores entenderam que vereadores eleitos em eleições municipais não podem usar a janela de anos de eleições gerais para trocar de partido sem perder o mandato. 

Os magistrados consideraram que não houve autorização oficial do PSDB para a saída da vereadora, não bastando conversas informais ou “combinados” com dirigentes como manifestação institucional. Para a Corte, não houve alteração estrutural na ideologia do PSDB. Discussões sobre fusões – com o Podemos – ou estratégias eleitorais diferentes – apoio a candidatos do PL em segundo turno – são consideradas debates internos normais e não mudança radical de programa.

O tribunal concluiu, ainda, que a vereadora não sofreu perseguição. A perda da presidência do diretório municipal foi vista como uma reorganização administrativa legítima dentro da autonomia do partido. Além disso, entendeu que não houve prova de que os conflitos ocorreram pelo fato de ela ser mulher, mas sim por divergências políticas comuns.
A desembargadora Stefane Fiúza Cançado Machado foi a única que apresentou voto divergente, que defendeu a existência de justa causa por entender que houve um processo contínuo de esvaziamento político e desprestígio contra a vereadora, mas essa tese foi vencida pela maioria. 
A defesa de Aava informou que recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral e utilizará todos os instrumentos previstos na legislação para assegurar a manutenção do mandato. “A discussão será levada até a última instância da Justiça Eleitoral, com firmeza e confiança de que a decisão será reformada”, diz a nota.

Quem é Aava Santiago

Em entrevista a CartaCapital em 2024, Aava contou como começou sua história na política e como se aproximou do presidente Lula (PT). Socióloga pela Universidade Federal de Goiás, foi a primeira pessoa de sua família a ingressar em uma universidade pública.

Foi a primeira mulher a presidir o diretório nacional do PSDB em Goiás, entre 2022 e 2025, o único em todo o País a apoiar a candidatura de Lula à Presidência nos dois turnos nas últimas eleições gerais. Nesse período, Aava presidiu duas comissões na Câmara de Goiânia: a de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e a de Direitos Humanos.

Também é coordenadora da Ouvidoria da Mulher no município e é 3ª Secretária da Mesa Diretora da Câmara dos Vereadores. Filha de pastores, se define como “malocrente” nas redes sociais, integrou a equipe de transição do novo governo no final de 2022 e chegou a apresentar um plano para aproximar o público evangélico da administração petista.

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