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Lula reage à ofensiva dos EUA e avisa que quem tentar interferir na eleição ‘vai apanhar muito’
Em convenção que oficializou Haddad ao governo de SP, presidente endurece discurso contra pressões de Washington após negativa de vistos a enviados do governo Trump
O presidente Lula (PT) aproveitou a convenção que oficializou a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo para subir o tom contra o que classificou como tentativas de interferência externa nas eleições brasileiras. Sem citar nominalmente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou o secretário de Estado, Marco Rubio, Lula afirmou que o resultado do pleito de outubro será definido exclusivamente pelos eleitores brasileiros e fez um recado direto a governos estrangeiros.
“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo na nossa eleições […]. Portanto, quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo, vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir, quem vai decidir o destino desse País são 157 milhões de eleitores. Quem vai definir o destino de São Paulo são os eleitores de São Paulo”, disse Lula.
As declarações ocorrem poucas horas depois de vir à tona que o governo brasileiro negou os pedidos de visto de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam viajar ao País para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. A delegação seria formada por Riley M. Barnes, secretário adjunto, e Samuel Samson, subsecretário adjunto da pasta. Na avaliação do governo brasileiro, a missão representava uma tentativa de influenciar a eleição presidencial de outubro.
O episódio ampliou uma escalada diplomática que vinha se intensificando nas últimas semanas. Desde o anúncio do novo tarifaço sobre produtos brasileiros, integrantes do governo Trump passaram a combinar críticas comerciais com ataques às instituições brasileiras. Marco Rubio tornou-se o principal porta-voz dessa ofensiva, fazendo sucessivas declarações sobre o processo eleitoral, o Supremo Tribunal Federal e a atuação da Justiça Eleitoral, além de anunciar medidas como a restrição de vistos a autoridades brasileiras. A retórica também foi acompanhada por manifestações públicas de Donald Trump em defesa de aliados da extrema-direita brasileira e críticas ao governo Lula.
No Palácio do Planalto, a avaliação é que a tentativa de enviar representantes oficiais para colocar em dúvida o sistema de votação elevou o conflito a um novo patamar, ao transformar em iniciativa institucional uma narrativa que, até então, vinha sendo difundida por autoridades norte-americanas e aliados do bolsonarismo. O governo interpretou a viagem como uma ingerência direta em um processo eleitoral ainda em curso e decidiu impedir a entrada da comitiva antes mesmo de sua chegada ao País.
“O Brasil é soberano. O Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra. O Brasil quer paz. O Brasil não quer ódio, o Brasil quer amor. O Brasil não quer fazer futrica, o Brasil quer trabalhar. A gente quer viver decentemente, e é isso que a gente vai garantir”, afirmou Lula na convenção do PT paulista.
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