Política
Prefeito bolsonarista veta campeonato de ‘farmar aura’ em Cuiabá
Nas redes sociais, Abílio Brunini associou a prática que viralizou entre adolescentes a um encontro de ‘pessoas com problemas emocionais’
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), proibiu a realização do primeiro campeonato de “farmar aura”, marcado para esta sexta-feira, 24 de julho, no Parque das Águas. Segundo Brunini, não havia “interesse público” no evento, e os espaços municipais devem servir para “edificar a família”. Não ficou claro de que maneira adolescentes fazendo poses incomuns ameaçariam a família brasileira.
“Acredito que, no futuro, as pessoas que participam dessa brincadeira vão sentir muita vergonha”, declarou o prefeito. Brunini também afirmou que os organizadores não haviam solicitado alvará para utilizar o parque — argumento que, sozinho, seria suficiente para justificar a suspensão.
“Haveria um campeonato profissional, um evento, com premiação e tudo, que precisa de licença para acontecer”, declarou. “Se for acontecer um encontro de pessoas com problemas emocionais, zero problema, apenas a vergonha alheia. Recomendo que não se faça um campeonato sem licença. Encontrar pessoas estúpidas, tudo bem.”
Questionado por jornalistas sobre o significado de “farmar aura”, o prefeito admitiu não fazer ideia. Em seguida, acrescentou: “Eu sou hetero”.
O episódio combina com o estilo político que Brunini adotou desde que entrou na vida pública.
Arquiteto, evangélico e natural de Cuiabá, ele foi eleito vereador em 2016 pelo PSC. Em 2020, concorreu à prefeitura pelo Podemos, venceu o primeiro turno, mas acabou derrotado por Emanuel Pinheiro. Dois anos depois, já filiado ao PL de Jair Bolsonaro, elegeu-se deputado federal com 87.072 votos. Em 2024, voltou a disputar a prefeitura e venceu o segundo turno com 53,8% dos votos válidos.
Apoiador de Bolsonaro desde antes da eleição presidencial de 2018, Brunini teve o ex-presidente e Michelle Bolsonaro como cabos eleitorais na campanha municipal de 2024. Na Câmara, exerceu funções de vice-liderança do PL e integrou o núcleo duro da oposição ao governo Lula. Durante a CPMI que investigou os atos golpistas, tornou-se conhecido pelas interrupções, discussões e confrontos com parlamentares governistas. Também foi denunciado ao Conselho de Ética por uma fala considerada transfóbica contra a deputada Erika Hilton; o processo, contudo, acabou arquivado.
O que significa ‘farmar aura’?
Apesar da reação do prefeito, “farmar aura” não é uma doutrina sexual, seita urbana ou terapia coletiva. É uma gíria nascida do encontro entre a popularidade da cultura japonesa e de jogos como Minecraft e League of Legends entre os mais jovens e as redes sociais.
Na gramática dos games, “farmar” significa repetir determinadas ações para acumular dinheiro, experiência, itens ou outros recursos. O jogador pode, por exemplo, derrotar inúmeras vezes o mesmo tipo de inimigo para obter pontos. A palavra inglesa farming, originalmente ligada ao cultivo agrícola, passou a designar essa produção repetitiva de recompensas virtuais.
“Aura”, por sua vez, tornou-se uma medida imaginária de carisma, presença e capacidade de parecer interessante. “Farmar aura” é, em resumo, tentar acumular prestígio simbólico como quem junta moedas num jogo de videogame.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Quaest prepara pesquisas de intenção de voto em São Paulo, Minas e mais 5 estados; veja datas
Por CartaCapital
Nova pesquisa reforça o favoritismo do clã Furlan nas eleições do Amapá
Por CartaCapital
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro no Amapá, segundo o Real Time Big Data
Por CartaCapital


