Mundo
Brasil manifesta ‘preocupação’ com declaração de Ortega e pede eleições livres na Nicarágua
O presidente nicaraguense afirmou que não haverá mais pleitos no País; Ortega governa a nação centro-americana há quase 20 anos
O governo Lula (PT) divulgou nesta quinta-feira 23 um comunicado oficial manifestando preocupação com uma declaração recente do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. Durante um ato em comemoração ao aniversário da Revolução Sandinista, Ortega afirmou que partidos de oposição, que ele associa a interesses externos, não retornarão ao poder no País, sugerindo que não haverá novas eleições.
Na nota, divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil reafirma que eleições livres, periódicas, plurais e transparentes são um pilar fundamental da democracia. O texto também traz um apelo direto às autoridades nicaraguenses para que garantam à população o direito de escolher livremente seus governantes.
Ortega, ex-guerrilheiro sandinista, retornou à presidência da Nicarágua em 2007. Ao lado da vice-presidente e primeira-dama Rosario Murillo, promoveu uma reforma constitucional, restringiu a atuação da oposição e ampliou o controle do Executivo sobre outras esferas de poder no país. O próximo pleito presidencial nicaraguense estava previsto para 2027.
A fala de Ortega também gerou reações críticas de outros organismos e lideranças internacionais, incluindo a Organização dos Estados Americanos.
Veja a íntegra da nota do Itamaraty:
“O governo brasileiro recebeu com preocupação a declaração do Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, durante ato alusivo ao 47º aniversário da Revolução Sandinista, de que em seu país “não voltará a haver eleições”.
Recorda que a realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes é um dos esteios da democracia, valor com que o Brasil tem um profundo compromisso.
Conclama as autoridades do país, por isso, a assegurarem ao povo nicaraguense o livre exercício do direito soberano de escolha dos seus governantes.”
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



