Economia

Governo Lula acelera busca por novos mercados e acordos para reduzir peso do tarifaço 

O presidente afirmou que o Brasil não ficará ‘chorando’ pelas vendas perdidas, enquanto ministros apostam na diversificação de exportações e na conclusão de novos acordos de livre comércio

Governo Lula acelera busca por novos mercados e acordos para reduzir peso do tarifaço 
Governo Lula acelera busca por novos mercados e acordos para reduzir peso do tarifaço 
O presidente Lula (PT). Foto: Odd Andersen/AFP
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O governo Lula (PT) acelerou a estratégia de abrir novos mercados para as exportações brasileiras diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Além de manter as negociações diplomáticas com Washington, o Palácio do Planalto trabalha para ampliar a presença de empresas brasileiras em outros destinos e destravar acordos comerciais considerados prioritários. A iniciativa ganhou força após a entrada em vigor da tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros e enquanto o País aguarda a definição norte-americana sobre uma possível sobretaxa adicional de 12,5%.

Ao anunciar a nova etapa do programa Brasil Soberano, na quarta-feira 22, Lula afirmou que o governo continuará a negociar com os Estados Unidos, mas disse que o Brasil também buscará alternativas para reduzir sua dependência do mercado americano. “Não vamos ficar chorando produtos que a gente não vendeu para eles, porque vamos procurar outros compradores.”

Segundo o presidente, o governo já conversa com diversos países para ampliar as exportações brasileiras e criar novas oportunidades de negócios.

A estratégia também foi reforçada pelo ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Após reuniões com representantes dos setores mais afetados pelo tarifaço, ele afirmou que a orientação do governo é manter as negociações com os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, ampliar o diálogo com o setor produtivo e acelerar medidas para minimizar os prejuízos. 

Uma das principais iniciativas será apresentada pela ApexBrasil no início de agosto. O plano prevê ações de promoção comercial no exterior e a realização de eventos no Brasil para aproximar compradores internacionais das empresas brasileiras. A Apex ainda aguarda os detalhes da eventual nova tarifa de 12,5% para definir quais setores terão prioridade e dimensionar o alcance das medidas.

Segundo Márcio Elias Rosa, a diversificação das exportações já começou. Com base em dados da ApexBrasil, o ministro afirmou que 73% das cerca de 2.400 empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos passaram a acessar outros mercados desde o ano passado, muitas delas sem reduzir as vendas para os norte-americanos. Ele também destacou que as exportações brasileiras cresceram mais de 40% para 54 destinos neste ano, sinalizando uma ampliação da presença do País em outros mercados.

Além da promoção comercial, o governo aposta na conclusão de acordos internacionais para ampliar o acesso dos produtos brasileiros ao exterior. O secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, embaixador Maurício Lyrio, afirmou que as negociações de livre comércio com os Emirados Árabes Unidos e o Canadá estão em estágio avançado. Também fazem parte da estratégia as negociações iniciadas entre Mercosul e Japão, a retomada das conversas com a Coreia do Sul e a ampliação das relações comerciais com outros parceiros asiáticos.

A política de diversificação ganhou ainda mais relevância após a entrada em vigor dos acordos do Mercosul com a União Europeia e com o Efta. Para o governo, esses tratados, somados às novas negociações em andamento, poderão reduzir a dependência das exportações brasileiras em relação ao mercado norte-americano caso as barreiras comerciais se ampliem.

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