Sociedade
Municípios no RS retiram nomes de Geisel e Castelo Branco de ruas e de escola
Decisão acontece após recomendações encaminhadas pelo Ministério Público Federal
Três municípios do Rio Grande do Sul trocaram os nomes de duas vias e de uma escola pública após recomendações encaminhadas pelo Ministério Público Federal (MPF). Os lugares homenageavam o marechal Humberto Castelo Branco e o general Ernesto Geisel, responsáveis por crimes cometidos durante a ditadura civil-militar.
Em Machadinho, lei municipal alterou a denominação daquela que era a “Rua Marechal Castelo Branco” para “Rua Agustinho Polidoro”. De modo semelhante, São José das Missões editou lei para trocar o nome da então “Rua Ernesto Geisel” para a atual “Rua Ipiranga”.
Já em Carazinho, a Secretaria Municipal de Educação realizou os procedimentos legais e administrativos e mudou o nome da “Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Castelo Branco”, que agora se chama “Escola Municipal de Ensino Fundamental Castelo”.
Nas recomendações enviadas aos três municípios gaúchos, o MPF destaca que não é possível que nomes de perpetradores de graves violações aos direitos humanos ainda figurem como dignos de receber homenagens, em especial “durante a atual quadra constitucional, que estabelece um regime democrático (ainda em fase de penosa construção)”. A medida “banaliza os atos delitivos da ditadura civil-militar de 1964-1985 e ainda contribui para o ressurgimento de teses revisionistas”, afirma o MPF.
O MPF fundamentou as recomendações numa série de normativos e documentos produzidos pelo Estado brasileiro, além de previsões constitucionais e de decisões de Cortes internacionais.
A mudança de denominação de lugares, instituições e prédios públicos de qualquer natureza (federais, estaduais ou municipais) que ainda prestam homenagem a agentes públicos ou a particulares envolvidos com a prática de graves violações aos direitos humanos está indicada na Recomendação nº 28 da Comissão Nacional da Verdade.
A determinação complementa ainda a previsão existente no Plano Nacional de Direitos Humanos, no sentido de que “logradouros, atos e próprios nacionais ou prédios públicos não recebam nomes de pessoas identificadas reconhecidamente como torturadores”.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Morto pela ditadura, Stuart Angel recebe diploma póstumo da UFRJ
Por Wendal Carmo
Estado pede desculpas por desaparecimento de aluno da UnB na ditadura
Por Agência Brasil



