Economia

Flávio Bolsonaro lança plano para tentar romper resistência feminina

Projeto prevê benefícios voltados às mulheres e tenta reduzir a desvantagem na disputa com Lula diante da maior parcela do eleitorado do País

Flávio Bolsonaro lança plano para tentar romper resistência feminina
Flávio Bolsonaro lança plano para tentar romper resistência feminina
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Daniel Ramalho/AFP
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Eleições 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentará nesta quinta-feira 16 as primeiras propostas concretas de sua pré-campanha voltadas às mulheres, parcela do eleitorado em que enfrenta sua maior desvantagem na disputa contra o presidente Lula (PT). Batizado de “Brasil por Elas”, o plano prevê medidas de incentivo à independência financeira, apoio ao empreendedorismo e uma forma de compensação pelo trabalho não remunerado de cuidado com filhos, idosos e a casa.

A apresentação será feita em transmissão pelas redes sociais e deverá contar com a participação da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, responsável pela coordenação do projeto e um dos nomes cotados para integrar a chapa de Flávio como candidata a vice-presidente.

Entre as propostas em elaboração está a criação de um sistema de cashback para compensar mulheres que dedicam parte significativa da rotina à chamada economia do cuidado. Também está prevista a ampliação do crédito e do apoio técnico para o empreendedorismo feminino.

A proposta da pré-campanha é levar o projeto a diferentes estados e incorporar sugestões ao longo do percurso. Flávio deverá participar das agendas ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e de lideranças femininas de direita.

A iniciativa ganhou urgência depois de uma sequência de desgastes de Flávio com o eleitorado feminino. No fim de junho, Michelle Bolsonaro acusou o enteado de tê-la “humilhado”, “desrespeitado” e “maltratado” durante uma conversa por telefone. A crise levou a ex-primeira-dama a deixar a presidência do PL Mulher e expôs uma ruptura justamente com uma das principais lideranças do bolsonarismo entre mulheres conservadoras e evangélicas.

Dias depois, o influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro e um dos articuladores da ofensiva nos Estados Unidos que resultou no tarifaço contra produtos brasileiros, afirmou que mulheres “votam muito mal”, especialmente as solteiras. Flávio posteriormente repudiou as declarações e disse que Figueiredo não integrava sua campanha.

O “Brasil por Elas” começou a ser preparado antes desses episódios, mas passou a ocupar posição ainda mais relevante na estratégia eleitoral. Parte das propostas foi discutida depois de um encontro promovido por Flávio em 1º de julho com lideranças femininas da direita. A reunião foi esvaziada pelas ausências de Michelle e de nomes como Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS).

A ofensiva ocorre enquanto as pesquisas mostram uma divisão expressiva do eleitorado por gênero. Levantamentos divulgados nas últimas semanas indicam vantagem de Lula entre as mulheres, enquanto Flávio apresenta desempenho melhor entre os homens. O desafio repete, em menor escala, uma dificuldade enfrentada por Jair Bolsonaro na eleição de 2022.

A pré-campanha também prepara uma mudança no discurso sobre as desigualdades entre homens e mulheres. A equipe discute uma formulação em que Flávio reconheça que a defesa isolada da meritocracia não é suficiente para responder às diferenças de acesso ao mercado de trabalho e às jornadas adicionais assumidas pelas mulheres. Ao mesmo tempo, o grupo tenta construir essa abordagem sem adotar conceitos associados ao feminismo, alvo frequente de ataques de setores mais radicais da direita.

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