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EUA lança novos ataques contra Irã e restabelece bloqueio naval

Petroleiros foram atacados no Estreito de Ormuz e em suas proximidades, deixando dois mortos e vários feridos

EUA lança novos ataques contra Irã e restabelece bloqueio naval
EUA lança novos ataques contra Irã e restabelece bloqueio naval
Coluna de fumaça após ataque em Teerã no começo de abril – foto: AFP
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Os Estados Unidos realizaram na noite desta terça-feira 14 novos ataques contra o Irã e voltaram a bloquear os portos daquele País. Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump desistiu de impor tarifas sobre os navios que atravessam o Estreito de Ormuz.

O bloqueio americano, em vigor desde as 20h GMT, e os bombardeios lançados uma hora antes por Washington ameaçam os esforços diplomáticos para manter o protocolo de acordo assinado em 17 de junho. “Mais de 20 navios de guerra da Marinha americana e centenas de aeronaves militares operam atualmente em todo o Oriente Médio”, informou o comando militar americano para a região (Centcom).

A medida contra os portos iranianos, que havia sido levantada no mês passado, “arruinou, de certa forma, o memorando” para pausar o conflito e permitir negociações de paz, disse hoje o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi.

Trump disse nesta terça-feira ao canal Fox News que vai ampliar na próxima semana os ataques dos Estados Unidos contra o Irã, para incluir usinas elétricas e pontes, caso Teerã não feche um acordo: “Na semana que vem, vai ficar realmente ruim para eles, porque vêm as usinas elétricas. Na próxima semana vêm as pontes. Vamos destruir todas as usinas de energia deles, todas as pontes deles, a menos que se sentem à mesa e negociem.”

Os preços do petróleo moderaram sua trajetória de alta depois que Trump voltou atrás em sua proposta de cobrar uma taxa de 20% dos navios que cruzassem o Estreito, apresentada ontem. O presidente americano afirmou que essa cobrança será substituída por “acordos de comércio e investimento que os diversos Estados do Golfo” fecharão nos Estados Unidos.

A cobrança de pedágios pela passagem por uma via marítima contraria o direito internacional. No entanto, o Estreito tornou-se uma carta estratégica desde o começo da guerra, tanto para os Estados Unidos quanto para o Irã.

O governo americano também anunciou que vai reforçar suas sanções contra o setor petroleiro iraniano, mirando em meia centena de pessoas e entidades ligadas à rede do magnata do petróleo Mohammad Shamkhani.

Consequências

O Irã reportou bombardeios em Bandar Abbas e na ilha de Qeshm, perto do Estreito, além de Bushehr, onde fica sua central nuclear, bem como na região petroleira próxima do Iraque e do Kuwait.

“Não é agradável ver seu país em guerra”, disse em Teerã o vendedor Hossein, 43. “Mas vamos nos defender como fizemos no passado.”

A Guarda Revolucionária iraniana reivindicou a autoria de ataques no Bahrein e na Jordânia. Já no Kuwait, quatro militares ficaram feridos em um dos ataques iranianos.

Petroleiros foram atacados no Estreito de Ormuz e em suas proximidades, no que deixou dois mortos e vários feridos desde a noite de segunda, informou a Organização Marítima Internacional, após acusações de que o Irã teria disparado contra duas embarcações que navegavam em águas de Omã.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, advertiu hoje que a retomada das hostilidades no Oriente Médio e a interrupção do tráfego no Estreito poderiam ter “consequências socioeconômicas e humanitárias graves”.

No total, 28 pessoas morreram no Irã desde que as hostilidades foram retomadas, na última quarta-feira, segundo um balanço da AFP com base em meios de comunicação iranianos e fontes oficiais.

Papel decisivo

Apesar das hostilidades, Trump disse ontem que um acordo com o Irã ainda era possível, enquanto as consultas com os mediadores continuavam, segundo a diplomacia iraniana.

O presidente americano busca pressionar Teerã com o novo bloqueio naval. No anterior, iniciado em abril em retaliação ao fechamento do Estreito por Teerã, o Irã não pôde exportar “um único barril de petróleo sequer”, segundo seu negociador-chefe, Mohammad Bagher Ghalibaf. A operação “teve um papel decisivo na assinatura do memorando de entendimento”, afirmou o Instituto para o Estudo da Guerra.

Israel não participou dos novos ataques, e sua frente no Líbano vivia um momento de calma. Ao concluir na Itália o primeiro dia de conversas com Beirute mediadas pelos Estados Unidos, os israelenses manifestaram disposição em avançar no projeto de retirada de suas tropas de duas áreas do sul do Líbano, mas alertaram os líderes iranianos para uma resposta “muito mais forte” que a do começo do ano em caso de ataque.

Já a Arábia Saudita e os huthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, pareciam estar à beira de uma nova guerra. Os rebeldes afirmaram hoje que derrubaram um drone de reconhecimento saudita, após um início de hostilidades entre as duas partes na véspera, pela primeira vez em anos.

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