Política
‘Plano C’, desistência de candidatura própria ou aliança: o nó que Lula tenta desatar em Minas
Após a recusa de Marília Campos, o presidente busca uma saída para garantir um palanque competitivo no segundo maior colégio eleitoral do País
O palanque de Lula (PT) em Minas Gerais se transformou em um dos principais impasses da estratégia eleitoral do Partido dos Trabalhadores. Depois de perder o “plano A”, com a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB), e o “plano B”, após a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) manter sua pré-candidatura ao Senado, o presidente passou a discutir alternativas no xadrez mineiro.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que Lula já trabalha com diferentes cenários. Um deles é insistir em uma candidatura própria, mesmo sem um nome considerado competitivo. Outro envolve apoiar um aliado de fora do PT, hipótese que ganhou força com a resistência de Marília e as dificuldades para encontrar um quadro petista capaz de unificar a legenda e ampliar o alcance.
O deputado federal Patrus Ananias aparece como “plano C” e passou a ser citado por aliados como uma possibilidade para encabeçar a chapa do PT. Ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro de governos petistas, ele é visto como uma figura de trajetória consolidada no partido. Ainda assim, relatos de integrantes da campanha apontam que a alternativa não desperta grande entusiasmo no entorno de Lula, que continua a avaliar outras opções.
O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que chegou a ser cogitado em articulações anteriores, deixou de fazer parte das conversas. Segundo aliados, ele está oficialmente fora do radar do presidente, após meses de queixas sobre o distanciamento de Lula e da direção petista desde a campanha de 2022.
Enquanto isso, quem mais ganha espaço entre os defensores de uma composição é o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB). Integrantes do PT avaliam que ele reúne melhores condições eleitorais do que os quadros petistas atualmente disponíveis, embora ainda enfrente resistência em setores da legenda por ter apoiado o impeachment de Dilma Rousseff (PT).
Outro nome levado à mesa de Lula é o do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior (PSB). A discussão envolve diferentes desenhos de chapa, inclusive com impacto na disputa pelo Senado.
A incerteza também reacendeu um debate interno sobre a conveniência de o PT insistir em uma candidatura própria. Embora a direção mineira tenha aprovado essa estratégia após as negativas de Pacheco e Marília, cresce entre dirigentes a avaliação de que uma aliança com um nome de outro partido poderia oferecer um palanque mais competitivo a Lula em um estado considerado decisivo no pleito presidencial.
A expectativa é que o presidente bata o martelo nos próximos dias.
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