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EUA rebatem avaliação do Itamaraty sobre o risco de ação militar no Brasil

Reação do governo Donald Trump acontece após o Ministério das Relações Exteriores afirmar que a classificação do PCC e CV como terroristas abre caminho para uma intervenção militar norte-americana

EUA rebatem avaliação do Itamaraty sobre o risco de ação militar no Brasil
EUA rebatem avaliação do Itamaraty sobre o risco de ação militar no Brasil
O chanceler brasileiro Mauro Vieira e o secretário de Estado dos Estados Unidos Marco Rubio. Fotos: Leticia Clemente/MRE e U.S. Embassy Jerusalem/Wikimedia Commons
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O Departamento de Estado dos EUA rebateu, nesta terça-feira 7, a declaração do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, sobre o risco de emprego de força militar norte-americana no Brasil com a designação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como terroristas.

Em nota, um porta-voz do Departamento de Estado classificou a declaração como “um absurdo”. “Essas facções brasileiras agora operam nos Estados Unidos, e defenderemos nosso povo delas. Alegações vagas de intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e favorecer alguns dos grupos mais violentos do mundo”, afirmou.

A declaração de Vieira questionada pelos EUA ocorreu em resposta oficial do Itamaraty a questionamentos da Câmara dos Deputados em 1º de julho. No documento, o chanceler disse que a nova classificação de PCC e CV “poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras”. Vieira acrescentou que “há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”.

O Itamaraty afirma que a classificação pode trazer “impactos relevantes tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional” e sustenta que ela não oferece ganhos concretos para a cooperação bilateral, uma vez que a própria legislação dos Estado já permite instrumentos de combate ao crime organizado transnacional, como compartilhamento de informações, apreensão de bens e combate à lavagem de dinheiro.

O Itamaraty também informou que órgãos responsáveis pelas áreas de segurança pública, inteligência e Justiça participaram da análise do tema e chegaram ao entendimento de que enquadrar facções criminosas como organizações terroristas é inadequado do ponto de vista jurídico e não amplia a capacidade de cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado. Segundo a resposta, a medida representa “riscos concretos à soberania nacional”.

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