Economia
Flávio Bolsonaro diz nos EUA que tarifaço agora ocorreria no ‘pior momento possível’
O senador defendeu uma negociação entre os países em audiência. Ao lado de Eduardo Bolsonaro, repetiu o argumento de que a sobretaxa fortaleceria Lula
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu nesta terça-feira 7, em audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que o governo Donald Trump desista — ao menos por ora — de impor um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.
Ao lado do irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos Estados Unidos, o senador pediu a abertura de negociações entre os dois países, fez uma defesa do Pix e afirmou que este seria “o pior momento possível” para a adoção das sanções comerciais.
A participação ocorre depois de meses de articulação internacional liderada por Eduardo, Paulo Figueiredo e pelo próprio Flávio junto a integrantes do governo Trump. O grupo defendeu a adoção de medidas de pressão contra o Brasil durante a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos, incluindo sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal e outras restrições ao governo brasileiro. A atuação levou o Itamaraty a afirmar que o tarifaço teve origem em uma tentativa de interferência externa na Justiça brasileira e a classificar os articuladores da ofensiva como “traidores da Pátria”.
Em um discurso de cerca de cinco minutos, proferido em inglês, Flávio pediu aos integrantes da comissão que “não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do Pix e cancelem esta medida para que possamos negociar”. Segundo ele, a sobretaxa “penaliza todo o povo brasileiro”, mas não atinge as autoridades que, em sua avaliação, são responsáveis pelas condutas investigadas.
O senador também retomou o principal argumento apresentado na manifestação de 86 páginas que enviou ao USTR na semana passada. Segundo Flávio, como faltam cerca de 90 dias para as eleições presidenciais no Brasil, uma tarifa aplicada agora acabaria fortalecendo politicamente o presidente Lula (PT). “Seria o pior momento possível para agir”, afirmou, ao defender que a medida seja suspensa.
Outro eixo da apresentação foi a defesa do Pix, um dos temas incluídos na investigação comercial norte-americana. Flávio afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos administrado pelo Banco Central ampliou a inclusão financeira e argumentou que ele não concorre com empresas americanas do setor, mas funciona de forma complementar às bandeiras internacionais de cartões.
Ao abordar o capítulo da investigação relacionado ao combate à corrupção, o senador direcionou críticas ao governo Lula e citou as investigações sobre fraudes no INSS. Segundo ele, “a corrupção tem responsáveis identificáveis”, e a população brasileira não deveria ser punida por isso.
A audiência pública integra a etapa final da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana. As manifestações apresentadas por empresas, entidades e representantes da sociedade civil servirão de base para a recomendação do USTR ao governo Trump, que deve decidir até 15 de julho se mantém ou não a proposta de impor a sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Como operações em série da PF levam o bolsonarismo a redesenhar chapa no Rio
Por Vinícius Nunes
A explicação de Bolsonaro sobre o paradeiro das armas não encontradas pelo Exército
Por CartaCapital




