Justiça
Como operações em série da PF levam o bolsonarismo a redesenhar chapa no Rio
Após investigações atingirem aliados cotados para o governo e o Senado, o PL discute mudanças para tentar reduzir o desgaste sobre Flávio
As sucessivas operações da Polícia Federal contra bolsonaristas no Rio de Janeiro levaram o PL a redesenhar sua estratégia eleitoral no estado. Depois de investigações atingirem figuras que ocupavam posições centrais na montagem do palanque, dirigentes do partido passaram a discutir mudanças na disputa pelo Senado e a reorganizar a campanha com o objetivo de evitar que novos desgastes impactem a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O primeiro movimento ocorreu na disputa pelo governo fluminense. O então presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar (União) era o principal cotado pelo grupo a concorrer ao Palácio Guanabara, mas deixou o cenário eleitoral após ser preso e posteriormente cassado no âmbito da Operação Unha e Carne.
Com sua saída, o PL lançou o plano B: Douglas Ruas. O deputado estadual, que também foi eleito presidente da Alerj, passou a ser a aposta do partido para enfrentar o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) na disputa estadual.
Agora, a sexta fase da Operação Unha e Carne abre uma nova frente de preocupação para o partido. Entre os alvos está o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), pré-candidato ao Senado e um dos principais aliados de Flávio Bolsonaro no estado. Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria movimentado 7,6 bilhões de reais em um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis.
Em vídeo de 3 de abril deste ano, Flávio chamou Canella de “amigo” e disse estar “100%” fechado com o pré-candidato: “Estou aqui para reafirmar nosso apoio integral, 100%, ao meu amigo Márcio Canella como pré-candidato ao Senado no Rio. Ele foi deputado comigo. É competente, sabe trabalhar e vai estar com a gente na missão de resgatar o nosso Brasil no Rio de Janeiro”, disse.
A operação atingiu diretamente a engenharia política construída por Flávio para a Casa Alta. O senador articulou a candidatura de Canella e anunciou sua mãe, a ex-vereadora Rogéria Bolsonaro (PL), como primeira suplente da chapa, transformando a aliança em uma das principais apostas do PL no Rio.
Nos bastidores, entretanto, integrantes do partido voltaram a defender uma revisão da composição da chapa ao Senado. A avaliação é que manter um candidato alvo de uma operação da Polícia Federal pode ampliar o desgaste sobre a campanha presidencial de Flávio. Entre os cotados para substituir Canella aparecem o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, e o deputado federal Carlos Jordy. O senador Carlos Portinho também é mencionado entre as alternativas para uma das vagas.
A necessidade de reorganização ocorre após uma sequência de investigações que atingiram expoentes estratégicos do grupo no estado. Além de Bacellar e Canella, o ex-governador Cláudio Castro desistiu da disputa ao Senado depois de ser alvo de operações da Polícia Federal, obrigando o partido a reexaminar seus planos eleitorais.
A leitura entre dirigentes do PL é que a prioridade passou a ser blindar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Por isso, a estratégia em discussão é reconstruir o palanque fluminense com nomes que não estejam no centro das investigações em curso, reduzindo o risco de que novas operações da Polícia Federal dominem o noticiário durante a campanha.
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