Política
Lula acena a mulheres em meio a desgaste de Flávio com o eleitorado feminino
O presidente defendeu aumento de pena para feminicídio e uso de tornozeleira para agressores, e disse que só educação garante independência às mulheres
A agenda do presidente Lula (PT) nesta quinta-feira 2 por estados do Nordeste foi marcada por gestos direcionados ao público feminino. O movimento ocorre em meio ao desgaste enfrentado pelo seu principal adversário na corrida ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), junto a esse segmento do eleitorado, após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expor a crise na relação com o enteado.
Durante um evento em Luís Gomes (RN), o petista defendeu o endurecimento das punições para agressões contra mulheres, incluindo aumentar a pena para o crime de feminicídio, e destacou os esforços dos Três Poderes na adoção de medidas permanentes de prevenção e combate à violência de gênero.
“Nós vamos endurecer: o cidadão que bater na mulher vai ter que ser punido, vai ter que usar tornozeleira, e aumentar a pena para quem mata mulher”, afirmou Lula, em referência ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, na cerimônia de inauguração de um túnel.
“Só existimos porque nascemos de uma mulher. Então, se elas colocaram nós no mundo, precisamos aprender a respeitá-las. Igual você respeita a sua mãe, a sua irmã. Respeitar. E nada de violência”, completou.
Mais cedo, em Quixeramobim (CE), onde participou de entregas e anúncios relacionados à Ferrovia Transnordestina, o presidente incentivou as mulheres a investirem nos estudos como caminho para a independência e a autonomia em relação aos homens.
“Para nós, homens, uma profissão é uma garantia de estabilidade, para nós e para nossa família, de arrumar emprego. Mas, para as mulheres, a educação é uma coisa a mais. É uma coisa chamada independência. Porque ninguém pode viver com um homem por causa de um prato de comida ou por causa de um aluguel”, disse.
O tema do combate à violência contra a mulher tem sido recorrente nas declarações públicas de Lula desde 2025. O mandatário já disse, por exemplo, que não deseja receber o voto de “vagabundo que bate em mulher”. O contexto político, no entanto, tem reforçado a importância dos acenos ao eleitorado feminino.
Do lado do PL, pesquisas internas já vinham orientando Flávio a intensificar o diálogo com as eleitoras, estratégia que incluiu a defesa pública de uma mulher como candidata a vice em sua chapa e um discurso voltado à maior participação feminina em espaços de poder. Esse plano, contudo, sofreu um forte abalo nos últimos dias com a crise envolvendo Michelle.
Além de presidir o PL Mulher desde 2023 — cargo que deixou nesta semana — e percorrer o País fortalecendo a estrutura do partido entre mulheres conservadoras, a ex-primeira-dama é vista por aliados como um dos principais ativos do bolsonarismo junto ao eleitorado feminino e evangélico.
Em uma gravação publicada semana passada, Michelle relatou ter recebido uma ligação de Flávio horas depois de tornar públicas suas críticas às negociações do PL com Ciro Gomes (PSDB). “Ele foi muito ríspido. Me desrespeitou e me maltratou ao telefone. Eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política.”
Uma declaração do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo sobre o voto feminino também contribuiu para ampliar o distanciamento desse eleitorado. Na tentativa de conter a crise, Flávio promoveu um café da manhã na quarta-feira com mulheres conservadoras no Lago Sul, em Brasília — encontro marcado, porém, pela ausência de importantes lideranças bolsonaristas.
Além de Michelle, também não participaram do encontro as senadoras Damares Alves (Republicanos-DF), Tereza Cristina (PP-MS) e Margareth Buzetti (PP-MT).
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