Política

Na mira de tribunais de conta estaduais, ‘Palantir brasileira’ chega ao radar de fundos dos EUA

A empresa brasileira Pax AI vende uma solução de monitoramento capaz de cruzar dados para facilitar a investigação policial

Na mira de tribunais de conta estaduais, ‘Palantir brasileira’ chega ao radar de fundos dos EUA
Na mira de tribunais de conta estaduais, ‘Palantir brasileira’ chega ao radar de fundos dos EUA
Plataforma da Pax em uso. Foto: Reprodução
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A Pax AI, empresa brasileira de videomonitoramento com inteligência artificial voltada à segurança pública, passou a enfrentar questionamentos que ultrapassam os contratos firmados no País.

Em menos de dois anos de atuação, a companhia conquistou clientes de peso — os governos de Goiás, Paraná e São Paulo — por meio de acordos milionários sem licitação, hoje sob escrutínio dos Tribunais de Contas dos três estados.

O que a Pax AI vende é uma solução de monitoramento capaz de cruzar dados para facilitar a investigação policial. O produto se assemelha ao da Palantir, empresa do bilionário Peter Thiel cujo software é usado em sistemas de vigilância e análise acumula contratos com o Pentágono e o ICE. Pairam, no entanto, dúvidas sobre a ausência de licitação nos contratos milionários e a segurança dos dados da população.

A pressão mais recente partiu do deputado estadual Arilson Chiorato (PT-PR), que levou o caso aos fundos internacionais que financiaram a empresa.

O parlamentar encaminhou denúncias à Benchmark e à Greenoaks, ambas sediadas na Califórnia, nos Estados Unidos, que, segundo informações disponíveis sobre as rodadas de investimento, já aportaram cerca de 40 milhões de reais nas operações da companhia.

Até maio deste ano, a empresa operava sob o nome Paladium. A mudança para Pax AI ocorreu em meio ao avanço dos questionamentos sobre seus contratos públicos. Em nota, a empresa sustenta que a alteração de marca não tem relação com as investigações ou com a crise de imagem.

Chiorato afirma que o objetivo é alertar as áreas de compliance dos investidores sobre suspeitas envolvendo a falta de transparência nos contratos e a proteção de dados da população submetida aos sistemas de vigilância. “Eles precisam saber que a Paladium Corp é investigada e questionada pelo Ministério Público e pelos Tribunais de Contas em vários estados”, declarou.

A trajetória financeira da empresa também chama atenção. Criada pelo investidor cearense Davi Peixoto, a então Paladium registrou capital social inicial de 20 reais. Em menos de 30 dias, o valor saltou para 36 milhões. Os registros seguintes apontam capital de 50 milhões de reais em 2025, 140 milhões em 2026 e mais de 156 milhões no dado mais recente disponível.

O sócio majoritário da Pax AI é a Paladium Holding LLC, empresa registrada em Delaware, nos Estados Unidos. Deputados do PT que acompanham os casos apontam a estrutura societária como um elemento que merece esclarecimentos adicionais, diante da conhecida opacidade de empresas registradas no estado americano.

A edição semanal de CartaCapital mostrou como funciona o modelo adotado nos três estados. A estrutura envolve uma secretaria estadual, que contrata sem licitação uma empresa pública de tecnologia. Essa empresa, por sua vez, firma uma parceria comercial com a Pax AI para operar ou fornecer os sistemas de monitoramento.

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