Esporte
Gasto de brasileiros com bets na Copa do Mundo passa de R$ 600 milhões, aponta estudo
Levantamento da empresa Klavi se baseia em amostra e leva em conta apenas casas legalizadas — ou seja, o valor real é ainda
maior
Os gastos de brasileiros com as apostas esportivas durante a Copa do Mundo já passa de 648 milhões de reais, aponta o indicador Placar das Bets, desenvolvido pela empresa Klavi. O monitoramento leva em conta uma amostra de 1,2 milhão de pessoas e considera apenas as casas autorizadas a operar no País — ou seja, as cifras reais tendem a ser ainda maiores.
O sistema Open Finance, ecossistema regulado pelo Banco Central, permite que companhias como a Klavi tenham acesso ao extrato bancário de seus clientes para gestão de investimentos ou maior facilidade de acesso a crédito, por exemplo. A divulgação dos números sobre as bets, por sua vez, ocorre somente com informações agregadas, a fim de não expor dados individuais.
CEO e cofundador da empresa, Bruno Chan afirmou a CartaCapital que projeta obter outros dados relevantes sobre os apostadores até o fim do Mundial, como perfil comportamental, dívidas e idade.
O estudo é atualizado diariamente com informações disponibilizadas consensualmente a partir das transações bancárias de 10% da base de usuários do Open Finance — em torno de 1,2 milhão de pessoas. O levantamento mapeou 104 casas de apostas que receberam transações.
Segundo o Placar das Bets, a base de dados espelha a população brasileira conforme o Censo e projeções do IBGE de 2025. Há um ajuste por gênero, estado e classe social, a fim de refletir os números gerais do País, não os perfis que mais utilizam o Open Finance.
O marco de mais de 600 milhões de reais arrecadados por casas de apostas na Copa ocorre em meio a questionamentos sobre os anúncios de bets nas transmissões. Não se trata, contudo, de uma novidade: os torneios brasileiros já dependem de investimentos bilionários do setor em publicidade e patrocínio.
Ainda é cedo para consolidar os impactos, mas órgãos públicos têm identificado estratégias mais agressivas das bets nas transmissões do Mundial. A CazéTV, por exemplo, entrou na mira do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária e anunciou posteriormente uma mudança de rota em suas lives, que antes contavam com odds (correlação entre risco e ganho) na tela e bônus em dinheiro em caso de vitória em determinados momentos das partidas.
Em ano eleitoral, expoentes do governo Lula (PT) também endureceram o discurso contra o mercado de apostas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a afirmar que as bets “são como cigarro” e que adotaria novas medidas de limitação e responsabilização. “Bets fazem mal à saúde e fazem você perder dinheiro”, disse o sucessor de Fernando Haddad (PT) na semana passada.
O próprio Lula já se manifestou contra as apostas online em diversas ocasiões. “Se depender da vontade do presidente da República, vou dizer isso durante a campanha: sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço de utilidade a este País”, disparou no fim de maio.
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