Justiça
Senival Moura pede afastamento do PT após prisão por suspeita de elo com PCC
Vereador afirma que quer se dedicar à defesa e evitar desgaste ao partido; Justiça manteve prisão temporária e investigação aponta suposto uso de empresa de ônibus para lavagem de dinheiro.
O vereador de São Paulo Senival Moura pediu neste sábado 27 o afastamento de sua filiação ao PT, dois dias após ser preso na Operação Última Parada, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Em nota assinada pelo presidente municipal do PT, vereador Hélio Rodrigues, o partido afirmou que Senival comunicou o afastamento “com a justificativa de se dedicar à sua defesa e de não vincular os últimos acontecimentos ao partido”. A sigla não informou por quanto tempo o afastamento permanecerá em vigor.
Senival foi preso na quinta-feira 25 durante operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil. Na sexta-feira 26, a Justiça manteve a prisão temporária após audiência de custódia. As investigações apontam que o vereador teria atuado na estrutura financeira paralela da concessionária Transunião, responsável por linhas de ônibus da capital paulista.
De acordo com a Polícia Civil, o vereador teria exercido influência sobre a gestão da empresa, apesar de não ocupar formalmente cargo na direção. Os investigadores sustentam que a concessionária foi utilizada para movimentar recursos de forma clandestina em benefício de integrantes do PCC. A apuração também atribui a Senival o papel de facilitar a entrada da facção na empresa de transporte.
A defesa do vereador contesta as acusações e afirma que a prisão foi recebida com “profunda indignação”. Em nota, os advogados disseram que a medida foi adotada em um momento “extremamente sensível”, às vésperas do período eleitoral, e sustentaram que Senival confia na Justiça e acredita que a investigação demonstrará a inexistência de qualquer conduta ilícita.
A Operação Última Parada também resultou na prisão de outras duas pessoas apontadas como integrantes da estrutura informal da Transunião, enquanto dois investigados seguem foragidos. Após a ação policial, a Prefeitura de São Paulo decretou intervenção na concessionária por um período inicial de seis meses para garantir a continuidade do serviço de transporte público.
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