Política
A reação de Eduardo Bolsonaro após ser condenado no STF por coação
O ex-deputado federal atacou o relator, ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de ‘vítima e juiz’ do caso
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos de prisão nesta terça-feira 16, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que o julgamento na Corte é “sem pé nem cabeça” e teria o objetivo de impedir sua participação nas eleições deste ano.
Por unanimidade, a Primeira Turma do STF sentenciou o filho de Jair Bolsonaro (PL) pelo crime de coação no curso do processo. Os ministros entenderam que o ex-parlamentar coagiu magistrados e articulou sanções junto ao governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro para impedir o julgamento da trama golpista, em que o seu pai foi condenado, no ano passado.
Em nota à imprensa, Eduardo afirmou que até hoje não foi citado de forma legal e atacou o relator, ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de “vítima e juiz” do caso.
“Qualquer sentença sem respeito ao devido processo legal é nula, e, depois de tantas derrotas internacionais, até Moraes sabe disso. Por isso o real objetivo deste julgamento sem pé nem cabeça é apenas um: tirar meu nome das eleições”, declarou.
O ex-deputado articula sua participação no pleito deste ano como primeiro suplente do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), que deve concorrer a uma vaga de SP no Senado. No entanto, com a condenação, Eduardo, que mora nos Estados Unidos desde 2025, se torna “ficha suja” e fica impedido de disputar as eleições por até oito anos. Cabe recurso contra a decisão.
Durante o julgamento, Moraes sinalizou ao menos nove ações do réu para intimidar as autoridades brasileiras envolvendo a atuação do governo Donald Trump. A Primeira Turma levou em conta uma série de postagens nas redes sociais de Eduardo e do blogueiro Paulo Figueiredo, também investigado por coação no curso do processo.
Ambos são acusados de tentar, por meio de chantagens contra o Brasil, livrar Jair da condenação pela tentativa de golpe de Estado.
“No intuito de beneficiar seu próprio pai, a atividade criminosa de Eduardo Bolsonaro prejudicou todo o País e não amedrontou essa Corte, como jamais amedrontará o STF”, declarou Moraes. Seu voto foi acompanhado por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
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