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Sob Trump, confiança de europeus nos EUA nunca foi tão baixa

Em 2024, quando o americano venceu as eleições, dois em cada dez europeus viam na Casa Branca um aliado. Hoje, só um em cada dez europeus pensa assim, aponta nova pesquisa

Sob Trump, confiança de europeus nos EUA nunca foi tão baixa
Sob Trump, confiança de europeus nos EUA nunca foi tão baixa
O presidente dos EUA, Donald Trumpm, em 10 de junho de 2026. Foto: Ken Cedeno/AFP
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Desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, a confiança da Europa nos Estados Unidos vem caindo acentuadamente e, de acordo com uma nova pesquisa, atinge agora uma baixa histórica. Apenas 11% dos europeus em 15 países enxergam no país um aliado, mostram dados divulgados nesta quarta-feira 10 pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR).

O mesmo índice era de 16% há seis meses e, em novembro de 2024, quando o republicano venceu a corrida presidencial americana pela segunda vez, de 22%.

O levantamento do ECFR mostra que os europeus “abraçam a autossuficiência e têm uma visão clara sobre Donald Trump”, embora não esperem que a relação desmorone completamente diante dos atuais desafios.

A maioria dos entrevistados não acredita que os EUA defenderiam a Europa em caso de ataque, mas prevê uma melhora das relações transatlânticas quando Trump deixar o cargo.

Tensões no segundo mandato

No segundo mandato, Trump impôs tarifas a países europeus e ameaçou retirar os EUA da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), por considerar insuficientes os seus gastos com defesa e o seu apoio à guerra contra o Irã.

O republicano também repetidamente sinalizou a intenção de assumir o controle da Groenlândia, que integra a Dinamarca, membro da Otan e da União Europeia (UE).

No mês passado, os EUA disseram que começariam a retirar tropas estacionadas na Alemanha, em meio a uma disputa entre Trump e Friedrich Merz. O chanceler federal alemão havia declarado que os EUA estavam sendo “humilhados” pelo Irã.

No Fórum Econômico Mundial, em Davos, quando chegavam ao auge as ameaças de Trump sobre a Groenlândia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, associou o enfraquecimento dos laços com os EUA à “necessidade de construir uma nova forma de independência europeia”.

Visões sobre a Ucrânia

O presidente dos EUA também tem repetidamente atribuído à Ucrânia parte da responsabilidade pela invasão russa e buscado relações mais próximas com o presidente russo, Vladimir Putin.

A pesquisa constatou ainda que a maioria dos europeus apoia a Ucrânia, mas demonstra cautela quanto à sua eventual adesão à UE e ao envio de tropas para participar da guerra contra a Rússia.

Já no setor energético, a maior parte dos entrevistados reconhece que o continente enfrenta uma crise, mas “permanece firmemente contrária às importações de combustíveis fósseis russos”, segundo o levantamento.

Mais gastos com defesa

Em comparação com o ano passado, os europeus estão 4% mais propensos a apoiar o aumento dos gastos com defesa. Além disso, quase metade (47%) dos entrevistados disse apoiar o endividamento coletivo da UE para financiar projetos do setor.

Os entrevistados apoiam majoritariamente também a redução da dependência europeia de armamentos dos EUA em favor da indústria militar europeia.

A pesquisa, realizada em maio de 2026, ouviu adultos na Áustria, Bulgária, Dinamarca, Estônia, França, Alemanha, Hungria, Itália, Holanda, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido.

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