Economia
Por dignidade, Brasil não aceitará tarifaço dos EUA, diz Lula
O presidente contestou alegações de Washington para sobretaxar produtos brasileiros e defendeu resultados do governo no combate ao desmatamento
O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira 10 que o Brasil não pode aceitar as tarifas que os Estados Unidos ameaçam impor sobre produtos nacionais por uma questão de “dignidade” e respeito aos trabalhadores brasileiros. A declaração foi proferida durante a 7ª reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
Ao comentar as medidas anunciadas pelo governo de Donald Trump, Lula pediu a elaboração de um estudo sobre as condições de trabalho nos Estados Unidos e questionou os critérios utilizados por Washington para justificar as sobretaxas.
“É preciso que vocês me apresentem um estudo urgente do que ganha um trabalhador americano”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Nós não temos o direito de aceitar, por dignidade e respeito ao que nós fazemos aqui para os trabalhadores brasileiros”.
O presidente também cobrou uma comparação entre as legislações trabalhistas dos dois países. “Eu quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para vir um tal de diretor impor multa na gente”.
Lula aproveitou o discurso para rebater críticas relacionadas à política ambiental brasileira e contestar cobranças internacionais sobre o desmatamento. Sem citar diretamente as autoridades americanas, questionou a postura dos EUA em relação à preservação ambiental.
“Será que eles não percebem que eles já estão carecas? E que nós ainda estamos como um jogador cortando só um pedacinho aqui do lado?”, declarou. O presidente também defendeu os resultados de sua gestão na área ambiental: “Será que eles não se dão conta de que nós, nesses três anos e meio, diminuímos o desmatamento em todos os biomas brasileiros?”.
As declarações ocorrem em meio ao agravamento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo Trump ameaça a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas desleais, além de uma taxa adicional de 12,5% para países que, segundo a Casa Branca, não combatem adequadamente o trabalho forçado.
Antes da reunião, integrantes do governo já indicavam que Lula utilizaria o encontro para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional e pedir apoio do setor produtivo brasileiro contra as medidas de Washington. O Conselhão reúne representantes do empresariado, de sindicatos e da sociedade civil para discutir políticas de desenvolvimento econômico, social e sustentável.
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