Bem-Estar

Obesidade infantil: 5 mitos que ainda preocupam especialistas

O Dia da Conscientização Contra a Obesidade MĂłrbida Infantil, celebrado em 3 de junho, chama atenção para um problema que cresce de forma preocupante no Brasil. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) mostram que, somente em 2025, mais de 4,2 milhões de […]

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O Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil, celebrado em 3 de junho, chama atenção para um problema que cresce de forma preocupante no Brasil. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) mostram que, somente em 2025, mais de 4,2 milhões de crianças brasileiras de 0 a 9 anos foram registradas com excesso de peso. O número indica que 33 em cada 100 crianças nessa faixa etária convivem com sobrepeso, obesidade ou obesidade grave.

Além dos impactos físicos, a obesidade infantil também pode afetar o desenvolvimento emocional, social e a qualidade de vida das crianças. Para ajudar a esclarecer dúvidas e combater a desinformação sobre o tema, Janaina de Fatima Avila Amaral, coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera, lista cinco mitos comuns relacionados à obesidade infantil. Confira!

1. A criança irá perder peso naturalmente com o crescimento

Um dos mitos mais comuns é acreditar que o excesso de peso na infância desaparecerá automaticamente com o crescimento. Segundo especialistas, a obesidade infantil tende a persistir na adolescência e na vida adulta quando não há acompanhamento adequado.

“A infância é uma fase determinante para a formação de hábitos alimentares e de comportamento. Ignorar sinais de excesso de peso pode aumentar os riscos de doenças crônicas no futuro, como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares”, explica Janaina de Fatima Avila Amaral.

2. Obesidade infantil acontece apenas por excesso de comida

Embora a alimentação tenha papel importante, a obesidade infantil é considerada uma condição multifatorial. Sedentarismo, fatores genéticos, rotina familiar, questões emocionais e até privação de sono podem influenciar diretamente o ganho de peso.

A nutricionista destaca que o ambiente em que a criança vive interfere significativamente nos hábitos de saúde. O consumo frequente de alimentos ultraprocessados, associado à redução das atividades físicas e ao aumento do tempo em telas, contribui para o crescimento dos índices de obesidade infantil.

Médico de jaleco e óculos em seu consultório mostra duas frutas pequenas para uma menina e sua mãe, que estão sentadas à sua frente ouvindo atentamente. Sobre a mesa, há uma fruteira cheia de maçãs e peras.
Para prevenir e combater a obesidade infantil, a reeducação alimentar é mais eficaz do que restrições severas (Imagem: Master1305 | Shutterstock)

3. Dietas restritivas são a melhor solução

Muitas famílias acreditam que restringir drasticamente alimentos pode resolver rapidamente o problema, mas essa prática pode trazer consequências negativas para o desenvolvimento infantil. “Crianças estão em fase de crescimento e precisam de nutrientes adequados para o desenvolvimento físico e cognitivo. O foco deve estar na reeducação alimentar e na construção de hábitos saudáveis, nunca em dietas radicais”, alerta a coordenadora do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera.

4. A obesidade infantil afeta apenas a saĂşde fĂ­sica

Os impactos emocionais da obesidade infantil também merecem atenção. Crianças com excesso de peso podem enfrentar episódios de bullying, isolamento social, baixa autoestima e ansiedade. Segundo a especialista, o cuidado deve envolver não apenas alimentação e atividade física, mas também acolhimento emocional e apoio familiar.

5. Praticar atividade fĂ­sica sozinho resolve o problema

A prática de exercícios é importante, mas precisa estar associada a uma rotina equilibrada e com acompanhamento profissional adequado. Alimentação saudável, qualidade do sono, apoio emocional e hábitos familiares também fazem parte do tratamento e da prevenção.

“A mudança precisa acontecer de forma coletiva dentro da família. Quando os responsáveis adotam hábitos mais saudáveis, a criança tende a se sentir mais motivada e acolhida nesse processo”, conclui Janaina de Fatima Avila Amaral.

Por Luana Figueiredo

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