Economia

A reação oficial do governo Lula à ameaça de novo tarifaço dos EUA

Apesar das críticas, o Planalto defendeu negociação com Washington para evitar a sobretaxa

A reação oficial do governo Lula à ameaça de novo tarifaço dos EUA
A reação oficial do governo Lula à ameaça de novo tarifaço dos EUA
O presidente Lula durante agenda em Sergipe - MaviRetrata
Apoie Siga-nos no

O governo Lula (PT) reagiu às conclusões da investigação comercial contra o Brasil conduzida pelos Estados Unidos, divulgadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA nesta terça-feira 2, e disse que a recomendação de um novo tarifaço está “contaminada” por interesses políticos e eleitorais.

Em nota à imprensa, o Palácio do Planalto afirmou que as medidas propostas são “injustificáveis” e voltou a defender que não há fundamento econômico para a aplicação de novas tarifas.

“É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares“, afirma o texto.

A decisão de aplicar a sobretaxa cabe exclusivamente ao presidente Donald Trump. A sugestão do USTR, comandado pelo embaixador Jamieson Greer, resulta de uma investigação contra o Brasil realizada no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Segundo o documento divulgado, entre os itens poupados do novo tarifaço estariam carnes, frutas tropicais, minerais, café, cereais, castanha-do-pará e castanha de caju. Também estariam livre da sobretaxa aeronaves e peças de aeronaves brasileiras, terras raras e fertilizantes, entre outros.

Ao justificar a lista de exceções, o USTR mencionou produtos que poderiam causar problemas em toda a economia norte-americana e certos itens que não podem ser cultivados ou produzidos em quantidades suficientes nos Estados Unidos ou obtidos de outras fontes.

O órgão acusa o Brasil de manter políticas e práticas “irrazoáveis” relacionadas a comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais supostamente desleais; medidas insuficientes contra corrupção; falha no combate a falsificação e pirataria, e demora para analisar solicitações de patente, principalmente na área farmacêutica; tarifas sobre a importação de etanol norte-americano; e desmatamento ilegal.

Para o governo Lula, “essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”. Sem citar a família Bolsonaro, o comunicado ressalta que a ofensiva tem “sabotado” o diálogo entre Brasília e Washington por “interesses meramente eleitorais e familiares”.

O texto também reage à inclusão do Pix entre os alvos da investigação americana. O sistema de pagamentos instantâneos foi citado pelo USTR como exemplo de prática desleal que prejudicaria concorrentes dos EUA. De acordo com o Planalto, as regras do Pix “aplicam-se de forma uniforme e neutra, e empresas norte-americanas participam ativamente desse ecossistema”.

A nota do Executivo também apresenta dados da balança comercial de bens dos EUA, que registrou superávit de 424,5 bilhões de dólares no setor de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.

“O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%”.

Apesar das críticas, o governo afirmou que continuará a negociar com Washington para tentar encerrar a investigação antes do prazo final, previsto para 15 de julho. Ao mesmo tempo, sinalizou que poderá reagir caso as recomendações do USTR sejam transformadas em tarifas efetivas. Uma das possibilidades é utilizar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, para “reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros”.

“É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro”, finalizou.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo