Mundo
Sheinbaum denuncia interferência dos EUA no México
A presidenta acusou ‘setores da extrema direita’ nos Estados Unidos de liderarem uma campanha contra seu governo
Após a acusação contra um governador e uma operação da CIA no México, a presidenta mexicana, Claudia Sheinbaum, denunciou, nesta segunda-feira 1º, a interferência dos Estados Unidos na política de seu País, embora tenha inocentado Donald Trump.
Sheinbaum acusou “setores da extrema direita” nos Estados Unidos de liderarem uma “campanha” contra seu governo.
O novo capítulo da tensão bilateral começou com a revelação de uma operação da CIA no país, na qual morreram dois agentes americanos, cuja entrada não tinha sido autorizada pelo governo federal, como prevê a lei mexicana.
E piorou com a denúncia americana contra o governador do violento estado de Sinaloa, acusado de ter vínculos com o cartel fundado por Joaquín “El Chapo” Guzmán, condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos.
Trump tinha dito que os cartéis das drogas controlam o México e alertou que agirá por conta própria se as autoridades mexicanas não cumprirem seu dever de combater esses grupos criminosos.
“Confesso que não acredito que o presidente Trump tenha liderado essa ofensiva em várias questões”, disse Sheinbaum em sua habitual coletiva de imprensa matinal. “São setores da extrema direita nos Estados Unidos que querem impedir um bom relacionamento”, acrescentou.
A presidente de esquerda se referiu aos dois casos em um comício no domingo por ocasião de seus dois anos no poder.
“O México não é saco de pancadas de ninguém!”, declarou Sheinbaum. “Eles estão usando nosso país para se posicionarem para as eleições de 2026? Ou pretendem influenciar as eleições de 2027 em nosso país?”, questionou.
O discurso de defesa da soberania visa gerar coesão em seus apoiadores, em meio à crise provocada pelas denúncias de corrupção contra alguns de seus dirigentes, disse à AFP Guadalupe Correa-Cabrera, pesquisadora da universidade americana George Mason.
“Trump tem um grande megafone e se ela simplesmente acusar Trump, ele vai para cima dela”, acrescentou à AFP a especialista em corrupção. Além disso, permite-lhe “evitar as possíveis responsabilidades de um governador que claramente teve vínculos com o crime organizado”.
O governador de Sinaloa, Rubén Rocha, pertence ao partido governista Morena. Ele pediu licença após a Procuradoria de Nova York solicitar sua prisão e extradição. Sheinbaum insistiu que sejam apresentadas evidências contundentes antes de agir.
O México elegerá em 2027 deputados e governadores em mais da metade de seus 32 estados, incluindo Sinaloa.
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