Justiça

Governo Lula critica ato dos EUA sobre PCC e CV e diz que clã Bolsonaro incentiva interferência

Planalto reage à classificação das facções como terroristas, aponta risco à soberania brasileira, e critica ‘traidores’ e ‘falsos patriotas’

Governo Lula critica ato dos EUA sobre PCC e CV e diz que clã Bolsonaro incentiva interferência
Governo Lula critica ato dos EUA sobre PCC e CV e diz que clã Bolsonaro incentiva interferência
O presidente Lula (PT). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O governo Lula (PT) elevou o tom contra a decisão dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Em nota divulgada nesta sexta-feira 29, o Palácio do Planalto classificou a medida como um possível retrocesso no enfrentamento ao crime organizado e afirmou que a iniciativa pode provocar prejuízos à cooperação policial, à economia e à soberania do País.

No texto, o governo sustenta que o Brasil já combate permanentemente as facções criminosas e argumenta que PCC e CV não se confundem com grupos terroristas de caráter ideológico, político ou religioso. Segundo a nota, embora as organizações imponham terror em comunidades e pratiquem crimes violentos, sua atuação tem como objetivo principal a obtenção de lucro por meio de atividades ilícitas, especialmente o tráfico de drogas e armas.

Inicialmente sem citar nomes, o governo afirma que a segurança pública não pode ser usada por “traidores” para manipulação política e acusa “falsos patriotas” de solicitar a autoridades estrangeiras interferência em assuntos brasileiros.

Em seguida, o texto faz referência direta à família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso País.”

A reação ocorre após a aproximação de integrantes da família com o presidente norte-americano, Donald Trump. Na terça 26, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) esteve em Washington, se reuniu com o republicano e fez um apelo para designar as organizações criminosas como terroristas.

O governo Lula argumenta que medidas unilaterais adotadas sem coordenação com o Brasil podem produzir efeitos indesejados. Entre eles, cita a possibilidade de redução do compartilhamento de informações entre forças de segurança, impactos sobre o sistema financeiro nacional e riscos a instrumentos considerados estratégicos pelo País, como o Pix.

O Planalto também destacou que tem buscado cooperação internacional para enfrentar organizações criminosas transnacionais. Segundo a nota, o Brasil apresentou ao governo norte-americano, em abril deste ano, uma proposta baseada em inteligência e cooperação policial para ampliar o combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de armas.

O governo ainda afirma que continuará aberto à colaboração com outros países no combate ao crime organizado, mas rejeita qualquer iniciativa que considere uma forma de ingerência externa. “A soberania nacional é inegociável”, diz a nota. “Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança.”

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