Justiça

Operação mira fintechs e combustível adulterado em novo esquema atribuído ao PCC

Segunda fase da Carbono Oculto cumpre 59 mandados em cinco estados e investiga lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e uso de nafta em combustíveis adulterados

Operação mira fintechs e combustível adulterado em novo esquema atribuído ao PCC
Operação mira fintechs e combustível adulterado em novo esquema atribuído ao PCC
Ao todo, são cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. Foto: Divulgação/Receita Federal
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O Ministério Público de São Paulo realiza, na manhã desta quinta-feira 28, a segunda etapa da Operação Carbono Oculto, batizada de “Fluxo Oculto”, para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no setor de combustíveis. A ação mira fintechs, fundos de investimento e um núcleo suspeito de atuar na adulteração de combustíveis.

Ao todo, são cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. A ofensiva é conduzida pelo Ministério Público paulista, com apoio da Receita Federal, da Agência Nacional do Petróleo, da Secretaria da Fazenda paulista, da Procuradoria-Geral do Estado, além das polícias Militar e Civil.

Segundo os investigadores, a nova fase busca desarticular estruturas financeiras utilizadas para ocultar recursos provenientes de fraudes fiscais, sonegação e outras atividades ilícitas no mercado de combustíveis. As apurações apontam que fintechs investigadas funcionariam como uma espécie de “banco paralelo” da facção, movimentando valores entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas e fundos de investimento ligados ao esquema.

De acordo com o Ministério Público, essas estruturas financeiras eram usadas para compensações internas, pagamentos a colaboradores e despesas pessoais de operadores do Partido do Crime. As investigações também identificaram a utilização de fundos de investimento para dificultar a identificação dos reais beneficiários das operações.

Esquema criminoso foi detalhado pela Receita Federal em infográfico. Foto: Divulgação/Receita Federal

Outro foco da operação é um núcleo suspeito de desviar nafta petroquímica (derivado de petróleo usado na indústria, mas não como combustível) para postos e terminais de combustíveis na Grande São Paulo. Conforme o MP, o esquema utilizava empresas de fachada para simular a venda regular de solventes, enquanto o produto era redirecionado para adulteração de combustíveis.

As apurações indicam ainda a abertura sucessiva de empresas em diferentes estados do país com o uso de familiares, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos como responsáveis formais pelas companhias. Na prática, segundo a investigação, essas empresas serviriam para encobrir a circulação dos produtos desviados.

O Ministério Público e a Receita Federal afirmam que o esquema reproduzia mecanismos já identificados na primeira fase da Operação Carbono Oculto, incluindo estratégias de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro por meio de instituições de pagamento e fundos financeiros.

Quatro fundos de investimento investigados no caso somam patrimônio estimado em cerca de 205 milhões de reais. Segundo o Ministério Público, os ativos dessas estruturas cresceram mais de 200% em pouco mais de um ano.

Entre as empresas citadas como alvos da operação estão instituições de pagamento, gestoras de recursos e companhias ligadas ao setor financeiro e imobiliário. 

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