Justiça

Dr. Furlan é alvo da PF em operação sobre suposta milícia digital em Macapá

O ex-prefeito e pré-candidato ao governo do Amapá é investigado por suspeita de usar contratos públicos de publicidade para promover ataques 

Dr. Furlan é alvo da PF em operação sobre suposta milícia digital em Macapá
Dr. Furlan é alvo da PF em operação sobre suposta milícia digital em Macapá
Dr. Furlan. Foto: Jesiel Braga/PMM
Apoie Siga-nos no
Eleições 2026

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira 26 a Operação Palanque Digital, que mira um suposto esquema de desvio de recursos públicos da prefeitura de Macapá para financiar uma estrutura de desinformação, autopromoção e ataques virtuais contra adversários no Amapá. Entre os alvos da operação está o ex-prefeito da capital Dr. Furlan (PSD), que deixou o cargo em março e é pré-candidato ao governo estadual. 

Segundo a investigação, ao menos 25 milhões de reais originalmente destinados a publicidade institucional da prefeitura teriam sido usados para abastecer uma rede formada por influenciadores digitais, páginas em redes sociais, blogs, veículos de comunicação e perfis considerados artificiais ou falsos. A PF afirma que o grupo agia de forma coordenada para impulsionar a imagem de aliados e promover ataques contra opositores. 

A operação cumpre 35 mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém e Canela (RS). Além de Dr. Furlan, foram alvo da ofensiva empresários, jornalistas, blogueiros, ex-secretários municipais e responsáveis por agências de publicidade ligadas aos contratos investigados. 

De acordo com a PF, a estrutura funcionava como uma espécie de milícia digital, com divisão de tarefas, definição de narrativas e monitoramento do alcance das campanhas nas redes sociais. Os investigadores apontam ainda o uso de inteligência artificial e deepfakes para produzir vídeos, imagens e áudios manipulados, além da disseminação de conteúdos ofensivos e ataques coordenados contra adversários políticos. 

A nova operação amplia a pressão sobre Dr. Furlan, que já havia sido afastado da prefeitura por decisão do ministro do STF Flávio Dino no âmbito da Operação Paroxismo. A investigação anterior apurava suspeitas de fraude em licitações e desvios de recursos relacionados às obras do Hospital Municipal de Macapá, contrato estimado em cerca de 69 milhões de reais. Após o afastamento, o então prefeito renunciou ao cargo para evitar um processo de cassação e anunciou sua pré-candidatura ao governo do estado. 

Segundo a PF, a suposta rede de desinformação agiria há pelo menos quatro anos. Até o momento, a operação resultou na apreensão de dinheiro em espécie, armas de fogo e veículos, além de duas prisões em flagrante. CartaCapital tentou localizar a defesa do ex-prefeito, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo