Justiça

Maioria dos brasileiros rejeita o ‘bandido bom é bandido morto’, aponta estudo

Uma pesquisa do Instituto Sou da Paz revela distâncias entre slogans da ultradireita sobre segurança pública e o que pensa a população

Maioria dos brasileiros rejeita o ‘bandido bom é bandido morto’, aponta estudo
Maioria dos brasileiros rejeita o ‘bandido bom é bandido morto’, aponta estudo
A morte violenta foi a principal causa de óbito na população de 15 a 29 anos. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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Em ano eleitoral, não faltam propostas em torno da segurança pública. Quase sempre, soluções simplórias são apresentadas como panaceias. E, entra ano, sai ano, a sensação de insegurança continua no topo das preocupações dos brasileiros. Apesar disso, velhos jargões punitivistas parecem perder força junto ao eleitorado. É o que demonstra um estudo do Instituto Sou da Paz. 

A pesquisa mostra que a frase “bandido bom é bandido morto”, apesar de muito repetida no debate público, encontra apoio em apenas 20% dos entrevistados. Na direção oposta, 73% afirmam que criminosos devem ser julgados, punidos e presos por seus crimes.

A percepção também aparece quando o tema é endurecimento penal. Para 55% dos entrevistados, o Brasil precisa garantir que as penas já existentes sejam aplicadas a todos os criminosos. Outros 39% defendem o aumento das penas. O dado indica que, para a maioria, o problema não é falta de leis mais duras, mas a dificuldade histórica de fazer a lei valer de forma efetiva.

No debate sobre armas, 77% acreditam que armas compradas legalmente podem ser roubadas e acabar abastecendo o mercado ilegal. Além disso, 73% afirmam que mais armas em circulação significam mais mortes e mais violência. Apenas 21% defendem que armar a população aumenta a segurança.

A atuação policial também aparece sob uma ótica menos simplista do que a explorada em muitos discursos eleitorais. Para 65% dos entrevistados, o país não precisa necessariamente de mais policiais nas ruas, mas de uma polícia melhor e mais preparada. Já 32% defendem o aumento do efetivo.

O apoio às câmeras corporais é ainda mais expressivo. Apenas 12% dizem que o equipamento atrapalha a atuação policial, enquanto 82% consideram as câmeras uma tecnologia capaz de proteger bons policiais e produzir provas contra criminosos.

Para o Instituto Sou da Paz, as descobertas apontam para uma sociedade menos disposta a aderir a bordões violentos e mais aberta a um debate público baseado em evidências. “Os dados mostram que as frases de efeito antigamente mais famosas na segurança pública já não ressoam mais na população”, avalia Carolina Ricardo, diretora-executiva da entidade. “A sociedade brasileira está cansada de promessas antiquadas e deseja outras formas de pensar esse tema, para além dos radicalismos cristalizados que não têm trazido resultados reais no dia a dia das pessoas.”

Buscando orientar o debate eleitoral, o documento aponta cinco prioridades: proteger meninas e mulheres, fortalecer polícias mais preparadas e valorizadas, enfrentar o crime organizado, reduzir roubos e retirar armas ilegais de circulação. O material será lançado nas próximas semanas e entregue às candidaturas.

A pesquisa foi conduzida pela Oma Pesquisa a pedido do Instituto Sou da Paz. Foram ouvidas 1.115 pessoas, em entrevistas presenciais, pessoais e domiciliares, entre novembro e dezembro de 2025.

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