Justiça
Aliado de Flávio Bolsonaro aciona STF e TSE após reportagem do ‘Intercept’
Hélio Lopes (PL-RJ) pede apuração de eventual responsabilidade criminal no vazamento de informações sigilosas
O deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) acionou o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral para apurar possíveis “vazamentos seletivos de informações protegidas por sigilo legal”. O pedido ocorre após uma reportagem do site The Intercept Brasil revelar diálogos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-CEO do Banco Master Daniel Vorcaro.
No ofício ao TSE, Lopes diz que uma eventual violação de sigilo de informação pode “produzir desequilíbrios no ambiente democrático” e “influenciar artificialmente a opinião pública”.
Lopes pediu ao relator do Caso Master no STF, André Mendonça, a adoção das medidas necessárias para “garantir a integridade” das investigações, o rastreamento da origem de vazamentos relacionados ao caso e a abertura de uma apuração para identificar eventual responsabilidade criminal.
“O Brasil não pode normalizar vazamentos seletivos de informações protegidas por sigilo, especialmente em casos de grande repercussão institucional e política”, acrescentou o deputado bolsonarista.
Em resposta nas redes sociais, o Intercept afirmou que recorrer ao STF e ao TSE é uma estratégia para calar a investigação jornalística e assustar as fontes. “Trata-se de uma escalada extremamente grave e seria uma violação flagrante de nossos direitos constitucionais à liberdade de imprensa.”
A reportagem revelou tratativas entre Flávio e Vorcaro para o pagamento de até 134 milhões de reais para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O empresário Thiago Miranda, citado na matéria do Intercept, confirmou a CartaCapital que intermediou uma negociação entre o senador e o banqueiro para o aporte de 62 milhões de reais ao filme. Houve, inclusive, a tentativa de marcar um encontro, mas o senador não compareceu.
Logo após a revelação do áudio, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo no qual confirma a cobrança de parcelas que estariam atrasadas e diz se tratar de um caso de “ajuda de um filho a um filme sobre o pai”, sem dinheiro público.
O deputado federal Mario Frias (PL-RJ), produtor executivo do filme, e a produtora responsável pela negaram o recebimento de qualquer quantia do Master.
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