Justiça
MP de São Paulo rejeita delação de Beto Louco e Primo, alvos da Operação Carbono Oculto
As propostas omitiam pontos considerados centrais pelos investigadores, como conexões mais amplas com o PCC
A Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo rejeitou a proposta de delação premiada de Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto.
Apontado como líder de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, o empresário tentou firmar um acordo de colaboração com o MP, mas a proposta naufragou. O MP também negou a delação de Mohamad Hussein Mourad, o Primo, sócio de Beto Louco e outro alvo da operação.
A informação foi revelada pela coluna Malu Gaspar, do jornal O Globo, e confirmada por CartaCapital. A decisão foi tomada nesta quarta-feira 6 pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa. A reportagem tentou contato com as defesas de ambos, mas não obteve resposta até o momento. O espaço segue aberto.
De acordo fontes envolvidas nas negociações, as propostas omitiam pontos considerados centrais pelos investigadores, como conexões mais amplas com o PCC. Além disso, não haveria menção relevante a agentes políticos ou integrantes do Judiciário — no caso de Beto, havia apenas a citação a um juiz já investigado pelo próprio MP. Na avaliação dos promotores, as possíveis colaborações não acrescentariam novos elementos às apurações em curso.
Antes de recorrer ao MP, Beto Louco tentou negociar um acordo com a Procuradoria-Geral da República, alegando que poderia fornecer informações sobre parlamentares e lideranças políticas. As tratativas, no entanto, não avançaram.
Durante as discussões em São Paulo, promotores de diferentes regiões envolvidas na investigação (capital, Guarulhos, Piracicaba e São José do Rio Preto) emitiram pareceres contrários aos arranjos propostos pelas defesas. O entendimento é que eles apresentaram informações já conhecidas ou passíveis de obtenção por outros meios.
A negativa, no entanto, não impede que um novo acordo possa ser fechado durante o andamento do processo, caso exista interesse entre as partes. Assim como aconteceu no MP paulista, a proposta de colaboração foi rejeitada, em março, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP do Piauí.
Foragidos desde a deflagração da Carbono Oculto, em 28 de agosto de 2025, Beto Louco e Mourad são considerados peças-chave no esquema. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que ambos estejam na Líbia, no norte da África.
As investigações do MP-SP, no âmbito da Carbono Oculto, e da PF, por meio da Operação Tank, apontam que os empresários utilizavam a formuladora de combustíveis Copape e a distribuidora Aster, adquiridas em 2020 por cerca de 52 milhões de reais, para lavar dinheiro do PCC e fraudar créditos tributários.
Segundo as autoridades, o grupo controlava toda a cadeia produtiva, desde usinas de etanol até postos de combustíveis em diversos estados. Para reduzir custos, os combustíveis eram adulterados com metanol. Há ainda indícios de que integrantes da facção criminosa coagiam donos de postos independentes a vender seus estabelecimentos, sob ameaça de morte.
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