Justiça

MPF pede indenização a jornal que publicou charge ofensiva a indígenas

A ilustração ‘veicula clara manifestação de preconceito étnico contra o povo indígena Kaingang’, segundo o MPF

MPF pede indenização a jornal que publicou charge ofensiva a indígenas
MPF pede indenização a jornal que publicou charge ofensiva a indígenas
Brasília (DF) 22/04/2024, O Acampamento Terra Livre (ATL) em Brasília. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Apoie Siga-nos no

O Ministério Público Federal (MPF) propôs uma ação civil pública, com pedido de liminar, para responsabilizar a Folha de Canela, no Rio Grande do Sul, e o responsável por conteúdo ofensivo ao povo indígena da etnia Kaingang. A ação pede o pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de 100 mil reais, a ser revertida em favor dos indígenas, e a retirada do ar de toda e qualquer publicação que veicule o conteúdo.

A ação foi motivada por uma charge publicada na edição do dia 27 de abril, com conteúdo sobre a atividade de comércio informal exercida por Kaingangs no entorno da Catedral de Pedra, na região central da cidade de Canela. A Folha de Canela republicou a ilustração em diversas plataformas, incluindo site e redes sociais.

De acordo com o MPF, a charge “veicula clara manifestação de preconceito étnico contra o povo indígena Kaingang” que extrapola os limites da liberdade de expressão e configura ilícito. Segundo a ação, a charge emprega recurso de caráter calunioso e ofensivo ao fazer um trocadilho e associar o grupo étnico diretamente à criminalidade.

Além do pagamento da indenização, o MPF requer que a Justiça determine que os responsáveis apaguem toda e qualquer publicação que veicule a charge em todos os meios onde tenha sido disponibilizada, no prazo de 24h. Os responsáveis também devem publicar retratação em todos os meios, físicos ou virtuais, onde foi disponibilizada a publicação original, com o mesmo destaque, publicidade e dimensão, no prazo de 5 dias.

O MPF pede que a retratação deve permanecer no site e nas redes sociais da empresa pelo prazo mínimo de um ano e deverá trazer a informação de que se trata de condenação judicial imposta nos autos desta ação.

Para o MPF, o “uso de termo que remete a grupos criminosos retira a humanidade do indivíduo e transforma a coletividade em uma ameaça à ordem pública, legitimando e potencializando sentimentos de hostilidade e exclusão social contra os indígenas”.

De acordo com a ação, em vez de promover uma reflexão sobre a presença indígena no município, a Folha de Canela optou por disseminar o preconceito étnico contra indígenas da etnia Kaingang e reforçar estereótipos que atingem a dignidade daquela população, promovendo a sua humilhação pública.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo