Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Morto nesta terça-feira, Guto Graça Mello definiu a música dos anos 1970 e 1980

Ele ocupou cargo de diretor musical na Globo, selecionando músicas para programas da emissora; no fim, escreveu os rumos da indústria musical

Morto nesta terça-feira, Guto Graça Mello definiu a música dos anos 1970 e 1980
Morto nesta terça-feira, Guto Graça Mello definiu a música dos anos 1970 e 1980
O produtor musical Guto Graça Mello. Foto: Redes Sociais/Reprodução
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Um dos mais influentes produtores de música na história recente da música, Guto Graça Mello morreu nesta terça-feira 5, no Rio de Janeiro. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória após mais de um mês internado no Hospital Barra D’Or, depois de sofrer uma queda.

O carioca começou na música na segunda metade dos anos 1960, em conjuntos musicais sem grande sucesso. Fez sua primeira trilha sonora para o filme Missão: Matar (1972). Teve a sorte de ser ouvido por Walter Clark, então poderoso diretor da TV Globo, que o convidou para trabalhar como produtor na emissora.

Apesar das críticas que recebeu na primeira trilha que realizou para a Globo, a da novela Cavalo de Aço (1973), triunfou na composição realizada para a abertura do programa dominical Fantástico – até hoje no ar, inclusive a sua trilha.

Já no começo, Guto trabalhava tanto na Globo quanto no braço fonográfico da emissora, a Som Livre (pertencente atualmente a Sony Music). Era um produtor e diretor musical auditada, até que a Globo o enviou aos Estados Unidos para estudar na renomada Berklee College of Music.

A partir daí, Guto se tornaria o mais influente produtor de música do País nos anos 1970 a 1980. Era ele que selecionava músicas para novelas e artistas para os diversos programas da então poderosa emissora TV Globo, que praticamente ditava o mercado da indústria fonográfica no País.

Guto trabalhou em magníficos projetos como a trilha sonora da novela Gabriela (1975), com intérpretes como Gal Costa e Maria Bethânia, para temas compostos por Dorival Caymmi e Sueli Costa, respectivamente. Também assinou a produção da trilha de Pecado Capital (1975), contando com a música-título de abertura de Paulinho da Viola e a canção Juventude Transviada, de Luiz Melodia – este teria ainda discos produzidos por Guto pela Som Livre. Além disso, comandou trilhas de séries da Globo, como Tenda dos Milagres (1985).

O produtor alavancaria a carreira de muitos artistas, como Moraes Moreira, Guilherme Arantes e Rita Lee. Guto também moldou a carreira musical de Xuxa na emissora em meados dos anos 1980 – inicialmente a contragosto, porque considerou sua voz ruim. Mas logo depois romperia com a Rainha dos Baixinhos após bate-boca com Marlene Mattos, então empresária de Xuxa. Ficou marcado também por produzir discos de Maria Bethânia.

No total, foram mais de 500 álbuns produzidos de diferentes artistas. Guto Graça Mello deixaria o grupo Globo em 1989, mas seguiria produzindo música de grandes artistas. Com a hiperfragmentação da música hoje, figuras como Guto já não cabem mais.

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