Bem-Estar
Celulite e lipedema: entenda as diferenças e as formas de tratamento
O aspecto da pele pode levar muitas mulheres a confundir celulite e lipedema, duas condições bastante comuns no público feminino e que, à primeira vista, podem apresentar características semelhantes, como ondulações e irregularidades na superfície da pele. No entanto, apesar dessa aparência parecida, elas possuem […]
O aspecto da pele pode levar muitas mulheres a confundir celulite e lipedema, duas condições bastante comuns no público feminino e que, à primeira vista, podem apresentar características semelhantes, como ondulações e irregularidades na superfície da pele. No entanto, apesar dessa aparência parecida, elas possuem causas, evoluções e impactos diferentes no organismo.
“O lipedema é uma doença crônica e progressiva que provoca acúmulo de gordura de forma simétrica, principalmente em pernas e braços, acompanhadas de dor, sensação de peso e surgimento fácil de hematomas. A gordura nodular doente do lipedema pode causar abaulamentos na pele e um aspecto estético de ‘casca de laranja’”, explica o cirurgião plástico Dr. Rafael Erthal, fundador da clínica Blue, especializada em lipedema e cirurgia plástica, e criador da técnica Lipedefinition.
A celulite, por outro lado, surge quando as estruturas fibrosas que sustentam o tecido abaixo da pele puxam a região para baixo em que há acúmulo de gordura no local, formando ondulações ou pequenas depressões. “Enquanto a celulite tem repercussão apenas estética, o lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, que se não tratada evolui progressivamente, podendo afetar também a saúde linfática em estágios mais avançados, com grande impacto na qualidade de vida”, acrescenta o Dr. Rafael Erthal.
De acordo com o dermatologista Dr. Pedro Jordão, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP), na maioria dos casos, a celulite é apenas uma questão estética. “Mas, se vier acompanhada de dor, endurecimento ou inchaço importante, pode ser necessário investigar outras condições, como problemas circulatórios e lipedema”, explica.
Sinais que podem indicar lipedema
Em casos de dúvida, o ideal é procurar ajuda médica, principalmente ao perceber sinais como acúmulo desproporcional de gordura em pernas ou braços, dor ao toque, hematomas frequentes e dificuldade de resposta a dietas ou exercícios tradicionais. “No caso do lipedema, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maior a chance de controlar a progressão da doença”, diz o Dr. Rafael Erthal.
Alguns sintomas podem ajudar na identificação do lipedema. “Entre os sinais mais comuns do lipedema, estão o acúmulo de gordura simétrica nos membros, poupando pés e mãos, dor constante ou ao toque, sensibilidade aumentada, hematomas espontâneos e a sensação de inchaço que costuma piorar ao longo do dia”, explica o cirurgião plástico.
Conforme o médico, a desproporção corporal é bastante comum no lipedema, em que pernas e quadris normalmente são mais volumosos quando comparados com a parte superior do corpo. “Além disso, pode haver sobrecarga do sistema articular, venoso e linfático, o que justifica em muitos casos o tratamento cirúrgico para devolver a função”, completa.
Tratamentos para o lipedema
Apesar de o lipedema ser crônico e não ter cura, hoje existe uma diversidade de procedimentos e terapias capazes de aliviar os sintomas e controlar a evolução da doença para impedir o surgimento de complicações. O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, com acompanhamento de cirurgião plástico, profissionais como endocrinologistas, nutricionistas e cirurgiões vasculares, além de dieta anti-inflamatória, atividade física específica, terapia física complexa e protocolos medicamentosos específicos para a doença.
Quando o quadro é mais avançado e os sintomas impactam significativamente o bem-estar, procedimentos cirúrgicos podem ser considerados, sempre com avaliação médica criteriosa. “Entre as opções cirúrgicas, técnicas modernas como a Lipedefinition têm ganhado destaque por tratar não apenas o volume, mas também devolver o contorno corporal, respeitando as características da doença. É uma cirurgia funcional, porque ajuda na diminuição do volume e da dor por retirar o máximo de gordura doente, mas ao mesmo tempo devolve uma forma harmônica para a paciente”, comenta o Dr. Rafael Erthal.

Tratamento para a celulite
Para a celulite, o ideal é buscar ajuda de um dermatologista quanto ao tratamento, que compreende a combinação de abordagens, segundo o Dr. Pedro Jordão. “Os melhores resultados vêm da combinação entre hábitos de vida saudáveis (alimentação e atividade física) e tratamentos estéticos que estimulam o colágeno, melhoram a firmeza da pele, tratam as áreas de fibrose e ajudam a remodelar o tecido de gordura”, explica.
O dermatologista explica que os procedimentos em consultório que têm melhores resultados para a celulite são:
- Subcisão: procedimento que rompe as “traves” fibrosas que puxam a pele para baixo, sendo uma das técnicas mais eficazes para celulite mais profunda;
- Bioestimuladores de colágeno: melhoram a firmeza da pele;
- Radiofrequência e tecnologias combinadas: calor ou resfriamento, sucção e energia de ultrassom, que atuam em diferentes camadas da pele, ajudando a remodelar o tecido de gordura.
Riscos da progressão do lipedema
Por fim, o Dr. Rafael Erthal lembra que, sem tratamento, o lipedema pode evoluir com piora da dor, aumento do volume das pernas, dificuldade para caminhar, limitações no dia a dia e até associação com linfedema, quando há doença linfática.
“Por isso, antes e após a lipoaspiração é necessário associar o tratamento cirúrgico com medidas de tratamento conservador, incluindo dieta preferencialmente anti-inflamatória, atividade física com fortalecimento muscular e medidas de compressão, através de drenagem linfática e uso de meias compressivas”, finaliza o cirurgião plástico.
Por Maria Claudia Amoroso
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