Economia

CCJ do Senado pauta PEC que amplia a autonomia do Banco Central

A votação na comissão pode acontecer na próxima quarta-feira 6

CCJ do Senado pauta PEC que amplia a autonomia do Banco Central
CCJ do Senado pauta PEC que amplia a autonomia do Banco Central
Boletim do Banco Central aponta leve alta na previsão de crescimento do PIB, indicando manutenção do ritmo econômico.
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O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça, agendou para a próxima quarta-feira 6 a votação da proposta de emenda à Constituição que concede autonomia financeira ao Banco Central. O texto, relatado pelo senador tucano Plínio Valério (AM), está emperrado na Casa desde o ano passado.

Se não houver mudança até lá, os senadores analisarão o parecer apresentado por Valério em 16 de abril. Essa versão traz poucas novidades quanto aos relatórios anteriores. A principal alteração é que o teto para as despesas de pessoal e encargos do BC não poderá superar os limites do arcabouço fiscal, que permite um crescimento real (acima da inflação) de até 2,5% ao ano. Contudo, há uma autorização no texto para que o Senado avalize uma exceção.

O texto prevê que a autoridade monetária será caracterizada como uma entidade pública. O tucano já cogitou deixar o BC como pessoa jurídica do direito privado integrante do setor público financeiro que exerceria atividade estatal, mas recuou diante das críticas.

A inclusão da PEC na pauta da comissão foi motivo de surpresa para integrantes do governo, de acordo com relatos à reportagem.

Desde 2021, o Banco Central tem autonomia operacional. Significa dizer que o BC não é mais vinculado ao Ministério da Fazenda, como no passado. Juridicamente, trata-se de uma autarquia pública estatutária, que tem uma natureza especial.

Uma das consequências práticas da autonomia é fazer com que o mandato de quatro anos do presidente do BC não coincida com o mandato do presidente da República — supostamente evitando interferências políticas.

A proposta em discussão na CCJ do Senado pretende ampliar a autonomia do BC, de modo que o Congresso Nacional fique responsável por supervisionar a gestão administrativa, contábil, orçamentária, financeira, patrimonial e operacional do banco.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, é entusiasta da proposta e se reuniu diversas vezes com senadores para discutir o tema, contrariando a expectativa do Palácio do Planalto. Aos interlocutores, Galípolo disse que a aprovação da PEC é de suma importância para o BC gerir seus próprios recursos. O governo Lula (PT), contudo, esperava que a troca no comando da autoridade monetária, no início de 2025, ajudasse a enterrar de vez a proposta, uma das principais bandeiras do ex-presidente Roberto Campos Neto.

Em agosto do ano passado, o relator incluiu em seu parecer uma cláusula que pretende blindar o sistema de pagamentos de qualquer interferência externa, impedindo que o sistema seja transferido ou cedido a outros entes, públicos ou privados. Tratava-se de uma forma de responder à pressão do governo dos Estados Unidos, que disse ver no Pix uma “prática desleal” e uma ameaça à competitividade de empresas americanas do setor de pagamentos. Esse trecho permanece na versão mais recente do texto.

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