Justiça
Janot, antigo protagonista da Lava Jato, ensaia volta ao direito penal
O ex-PGR foi procurado para dar consultoria a uma colaboração premiada. A proposta só não avançou, segundo interlocutores, porque o valor cobrado foi considerado ‘muito alto’
Protagonista durante os anos mais agudos da Operação Lava Jato, ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot ensaia um retorno ao direito penal.
Desde que deixou o cargo, Janot migrou para a advocacia privada, com atuação voltada sobretudo a empresas e temas como compliance e disputas ambientais.
Nesse intervalo, manteve presença pontual em casos de repercussão — como a representação de vítimas da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais —, mas distante do protagonismo penal que marcou sua passagem pela Procuradoria. Agora, volta a circular nos bastidores justamente no terreno em que construiu sua influência: as delações.
Recentemente, ele foi procurado para dar consultoria a uma colaboração premiada. A proposta só não avançou, segundo interlocutores, porque o valor cobrado por Janot foi considerado “muito alto”.
À frente da PGR entre 2013 e 2017, coube a ele conduzir a política de acordos de delação que marcou aquele ciclo. Só na colaboração envolvendo a empreiteira Odebrecht, foram celebrados acordos de 77 executivos.
A delação dos irmãos Batista, Joesley e Wesley — do grupo J&F —, do senador Delcídio do Amaral (PRD-MS) e do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, também foram celebradas durante sua gestão.
A eventual contratação de Janot para esse tipo de consultoria obedece a uma lógica relativamente pragmática. De um lado, sua passagem pela Procuradoria-Geral lhe dá repertório para estimar o que a atual gestão, sob Paulo Gonet, tende a exigir em acordos desse tipo. De outro, seu nome ainda circula como um selo de peso no mercado jurídico.
Não necessariamente por influência direta, mas pela percepção de que pode agregar alguma vantagem simbólica em negociações sensíveis.
Atualmente, está em curso o processo de delação do ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro. Em março, o banqueiro assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a PGR.
Além dele, o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, sinalizou interesse em colaborar “possivelmente por meio de colaboração premiada” ao pedir transferência da Papuda.
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