Política

‘Presa’ com Jair, Michelle Bolsonaro tem dificuldade de articular candidatura 

A ex-primeira-dama tem cuidado do ex-presidente, preso em casa há um mês. O veto a visitas a mantém isolada politicamente

‘Presa’ com Jair, Michelle Bolsonaro tem dificuldade de articular candidatura 
‘Presa’ com Jair, Michelle Bolsonaro tem dificuldade de articular candidatura 
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) junto à esposa Michelle e o pastor Silas Malafaia, no Reino Unido, em 2022. Foto: Chip Somodevilla/POOL/AFP
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completa nesta segunda-feira 27 um mês em prisão domiciliar, no Jardim Botânico, área nobre de Brasília. Ele está impedido de receber visitas que não sejam de seus médicos, advogados e filhos, o que também deixa a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em uma espécie de isolamento.

Responsável pelos “cuidados” do ex-capitão, Michelle teve neste mês uma rotina restrita. Não tem recebido amigos e “irmãos” de oração em sua casa, nem tem se encontrado com os entusiastas de sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, como a senadora Damares Alves (Republicanos) e a deputada Bia Kicis (PL), que deve ser sua companheira de chapa no DF.

Com a rotina concentrada na atenção ao marido e longe da atividade partidária presencial, Michelle passou a exercer suas funções de modo indireto. A ex-primeira-dama tem recorrido sobretudo às redes sociais – em especial aos stories do Instagram – para se manifestar e manter algum grau de influência no debate interno do partido.

Nos bastidores, essa dinâmica aprofundou seu papel como principal elo entre o entorno político e Bolsonaro. Sem acesso direto ao ex-presidente, aliados passaram a depender quase exclusivamente de Michelle para transmitir recados e captar sinais. O que, por um lado, fortaleceu sua centralidade, resultou também em desconforto no próprio campo bolsonarista.

Entre interlocutores mais próximos de Michelle, há a visão de que ela expressa fielmente as posições do marido e que, diante das restrições impostas, tornou-se a principal voz do bolsonarismo no período. Na prática, dizem, suas manifestações funcionam como extensão direta de Bolsonaro.

Mesmo com a rotina limitada, Michelle busca manter influência nas decisões do PL. Ela se pronuncia na defesa de candidaturas, sobretudo femininas, e toma partido em disputas internas. No Distrito Federal, por exemplo, reafirmou apoio à vice-governadora Celina Leão (PP) na corrida pelo governo local, contrariando movimentos da própria legenda. Também há a interferência em definições da candidatura ao Senado por São Paulo, onde vetou o lançamento de Mário Frias (PL-SP). 

Enquanto isso, o cotidiano de Bolsonaro segue restrito, dividido entre atividades leves em casa e o acompanhamento do tratamento de saúde. Apesar da melhora no quadro clínico, persistem queixas de dores no ombro direito, e a defesa aguarda autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes para a realização de uma cirurgia.

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